Sr. Luis era um senhor de quase 70 anos, alto, branco, sem vícios, de porte elegante e sempre bem vestido. Usava sempre um lenço no pescoço, como um traço característico de sua personalidade. Tinha um cuidado especial com a aparência e estava sempre barbeado e perfumado. Nunca se queixava de dor ou doença que fosse.Cativante e simpático, era um verdadeiro ¨gentleman¨ com as mulheres, mas nunca sem perder o respeito e a gentileza. Todas o amavam, por ser uma linda pessoa. Era realmente uma pessoa do bem.Era extremamente sociável e prestativo. Sempre disposto a ajudar , nunca colocava obstáculo para acompanhar um idoso em algum lugar, socorrer um doente se fosse preciso, ou ajudar uma pessoa, se estivesse ao seu alcance. Era muito querido e presença constante e requisitada em toda atividade ou evento do bairro.
Sr. Luis era um senhor viúvo há dez anos, sem filhos, e freqüentava sempre o clube do idoso. Um ambiente que mantinha atividades recreativas para a terceira idade, como jogos, bailes, excursões e ginástica. Gostava de jogar dominó e prosear com os amigos. Fez daqueles amigos a sua família.
Vez por outra, uma senhora elegante vinha tirá-lo para dançar, no que ele atendia educadamente. Entre essas senhoras, vou falar de D. Anita, uma pessoa muito especial, que se destacava das outras, e que mantinha a delicadeza dos gestos e a beleza madura estampada nos bonitos traços que o tempo não levou. Tinha os olhos claros e cabelos levemente grisalhos, sempre bem cuidados, lhe dando um charme particular.
D. Anita e Sr. Luis eram muito amigos, há muito tempo. Conversavam muito, combinavam entre si, e, segundo meu parecer, foram feitos um para o outro...
Um dia qualquer toquei no assunto com D. Anita. Ambos eram viúvos e formavam um bonito par. Não posso deixar de citar que D. Anita ficou um pouco constrangida com essa conversa, mas acabou confiando em mim. Ela era apaixonada pelo Sr. Luis. Guardava isso em segredo, há muito tempo, platonicamente; pois tinha vergonha. Achava que era ridículo estar enamorada com aquela idade, (D Anita tinha 65 anos) e preferia manter as coisas assim; ao menos tinha o prazer de ter a sua companhia aos domingos. Me fez prometer que eu guardaria isso em segredo.
Bom, querido leitor, confesso que eu prometi para D. Anita, mas não para mim mesma... Pensei na hora: era um desperdício guardar esse segredo para mim, quem sabe eu poderia mudar o curso dessa estória? Afinal de contas, eu já havia entrado nela. Rindo, pensei: não é impossível. Mas calma, mulher, teria que esperar a oportunidade.
E ela chegou, vinte dias depois, numa sexta – feira. Nesse dia, começava os preparativos no clube para o próximo domingo, pois era o aniversário do Sr. Luis. Resolveram fazer-lhe uma festa surpresa e não parava de chegar gente para ajudar. Todos queriam dar a sua contribuição e merecer um lugarzinho no coração do Sr. Luis, o que era compreensível.
Eu, de minha parte, tinha outros planos... Seria o momento ideal para aproximar o casal. Ajudei D. Anita a comprar um belíssimo vestido para a festa e disse que a data merecia uma atenção especial, por isso iria ajudá-la a se ¨produzir ¨ com a maquiagem e o cabelo. Eu queria que D. Anita fosse notada pelo Sr. Luis., e caso, naturalmente, não ocorresse, eu buscaria outros recursos para chamar a atenção dele. O resto, a gente veria depois.
Finalmente o domingo chegou. Fiquei realmente satisfeita com a imagem refletida no espelho.
D. Anita portava um vestido azul, longo, e discreto. Nas costas, um leve decote insinuava uma pequena ousadia feminina. O cabelo preso com presilha no alto da cabeça, e franjas espalhadas no rosto lhe dava um ar de elegância e jovialidade. Um delicado colar de pérolas acentuava seu colo e completava sua aparência.
Pronto, estava deslumbrante. Impossível não ser notada.
As 15:00hs. Era o horário que abria o clube. Chegamos lá por volta das 15:30hs e senti os olhares sobre D. Anita, o que foi um teste com resultado positivo.
Tudo estava maravilhoso. A decoração do salão com flores e mensagens estava preciosa. A iluminação suave compunha o ambiente agradável. O bolo não tinha velas denunciando a idade, mas um lindo boneco elegantemente trajado fazia o papel figurativo do aniversariante. Perfeito. No fundo do salão, uma orquestra tocava um fundo musical, aguardando a hora que o Sr.Luis entraria, para tocar o tradicional parabéns para você.
Sentamo-nos numa mesa (estrategicamente acertada antes). Agora era esperar a chegada do nosso querido Sr. Luis e ver os acontecimentos.
Estranho, 16:00hs e nada do nosso amigo. Dificilmente chegava tarde. Pensei desanimada que só faltava ele não vir, justamente hoje!. Não, não era possível.
Provavelmente, tinha se atrasado por alguma razão, que seria explicada mais tarde.
Às 17:00hs, o tempo de espera já se tornara longo demais e já se percebia uma preocupação geral. Decidimos então telefonar-lhe. Mas, ninguém atendia o telefone.
Às 18:00hs já estávamos certos que ele não viria mais e que algo acontecera. O olhar de todos era de frustação e mal estar. Ouviam-se murmurinhos por toda parte, e muitos passaram a criticar e lamentar os gastos com a festa.
Uma única pessoa permaneceu em silêncio, com um olhar muito triste, D. Anita.
As 19:00hs decidimos ir embora. Deixei-a em sua casa e segui o caminho para minha casa bastante chateada. Não conseguia entender o que aconteceu com Sr. Luis.
Onde poderia estar?. Que soubesse, ele não tinha família e os seus amigos eram todos os que estavam no clube. Era natural que tivesse ido, não dava para entender!
Bem, coisas ou circunstâncias acontecem e procurei desviar o pensamento.
Logo tudo se explicaria.
Às 8:00hs da manhã seguinte, acordei com o telefone tocando; era D. Anita, que em prantos, me disse: - Você já soube o que aconteceu?
- D. Anita, pelo amor de Deus, saber o que?-
Luis... o Sr. Luis morreu ontem à noite. Ele passou mal a tarde e alguém o socorreu, levaram-no para o hospital, mas ele não resistiu. Teve um enfarte, foi fulminante.
Oh! Meu Deus! Sr. Luis se fora para sempre. Era inacreditável!. Que triste notícia!
Sr. Luis era um senhor viúvo há dez anos, sem filhos, e freqüentava sempre o clube do idoso. Um ambiente que mantinha atividades recreativas para a terceira idade, como jogos, bailes, excursões e ginástica. Gostava de jogar dominó e prosear com os amigos. Fez daqueles amigos a sua família.
Vez por outra, uma senhora elegante vinha tirá-lo para dançar, no que ele atendia educadamente. Entre essas senhoras, vou falar de D. Anita, uma pessoa muito especial, que se destacava das outras, e que mantinha a delicadeza dos gestos e a beleza madura estampada nos bonitos traços que o tempo não levou. Tinha os olhos claros e cabelos levemente grisalhos, sempre bem cuidados, lhe dando um charme particular.
D. Anita e Sr. Luis eram muito amigos, há muito tempo. Conversavam muito, combinavam entre si, e, segundo meu parecer, foram feitos um para o outro...
Um dia qualquer toquei no assunto com D. Anita. Ambos eram viúvos e formavam um bonito par. Não posso deixar de citar que D. Anita ficou um pouco constrangida com essa conversa, mas acabou confiando em mim. Ela era apaixonada pelo Sr. Luis. Guardava isso em segredo, há muito tempo, platonicamente; pois tinha vergonha. Achava que era ridículo estar enamorada com aquela idade, (D Anita tinha 65 anos) e preferia manter as coisas assim; ao menos tinha o prazer de ter a sua companhia aos domingos. Me fez prometer que eu guardaria isso em segredo.
Bom, querido leitor, confesso que eu prometi para D. Anita, mas não para mim mesma... Pensei na hora: era um desperdício guardar esse segredo para mim, quem sabe eu poderia mudar o curso dessa estória? Afinal de contas, eu já havia entrado nela. Rindo, pensei: não é impossível. Mas calma, mulher, teria que esperar a oportunidade.
E ela chegou, vinte dias depois, numa sexta – feira. Nesse dia, começava os preparativos no clube para o próximo domingo, pois era o aniversário do Sr. Luis. Resolveram fazer-lhe uma festa surpresa e não parava de chegar gente para ajudar. Todos queriam dar a sua contribuição e merecer um lugarzinho no coração do Sr. Luis, o que era compreensível.
Eu, de minha parte, tinha outros planos... Seria o momento ideal para aproximar o casal. Ajudei D. Anita a comprar um belíssimo vestido para a festa e disse que a data merecia uma atenção especial, por isso iria ajudá-la a se ¨produzir ¨ com a maquiagem e o cabelo. Eu queria que D. Anita fosse notada pelo Sr. Luis., e caso, naturalmente, não ocorresse, eu buscaria outros recursos para chamar a atenção dele. O resto, a gente veria depois.
Finalmente o domingo chegou. Fiquei realmente satisfeita com a imagem refletida no espelho.
D. Anita portava um vestido azul, longo, e discreto. Nas costas, um leve decote insinuava uma pequena ousadia feminina. O cabelo preso com presilha no alto da cabeça, e franjas espalhadas no rosto lhe dava um ar de elegância e jovialidade. Um delicado colar de pérolas acentuava seu colo e completava sua aparência.
Pronto, estava deslumbrante. Impossível não ser notada.
As 15:00hs. Era o horário que abria o clube. Chegamos lá por volta das 15:30hs e senti os olhares sobre D. Anita, o que foi um teste com resultado positivo.
Tudo estava maravilhoso. A decoração do salão com flores e mensagens estava preciosa. A iluminação suave compunha o ambiente agradável. O bolo não tinha velas denunciando a idade, mas um lindo boneco elegantemente trajado fazia o papel figurativo do aniversariante. Perfeito. No fundo do salão, uma orquestra tocava um fundo musical, aguardando a hora que o Sr.Luis entraria, para tocar o tradicional parabéns para você.
Sentamo-nos numa mesa (estrategicamente acertada antes). Agora era esperar a chegada do nosso querido Sr. Luis e ver os acontecimentos.
Estranho, 16:00hs e nada do nosso amigo. Dificilmente chegava tarde. Pensei desanimada que só faltava ele não vir, justamente hoje!. Não, não era possível.
Provavelmente, tinha se atrasado por alguma razão, que seria explicada mais tarde.
Às 17:00hs, o tempo de espera já se tornara longo demais e já se percebia uma preocupação geral. Decidimos então telefonar-lhe. Mas, ninguém atendia o telefone.
Às 18:00hs já estávamos certos que ele não viria mais e que algo acontecera. O olhar de todos era de frustação e mal estar. Ouviam-se murmurinhos por toda parte, e muitos passaram a criticar e lamentar os gastos com a festa.
Uma única pessoa permaneceu em silêncio, com um olhar muito triste, D. Anita.
As 19:00hs decidimos ir embora. Deixei-a em sua casa e segui o caminho para minha casa bastante chateada. Não conseguia entender o que aconteceu com Sr. Luis.
Onde poderia estar?. Que soubesse, ele não tinha família e os seus amigos eram todos os que estavam no clube. Era natural que tivesse ido, não dava para entender!
Bem, coisas ou circunstâncias acontecem e procurei desviar o pensamento.
Logo tudo se explicaria.
Às 8:00hs da manhã seguinte, acordei com o telefone tocando; era D. Anita, que em prantos, me disse: - Você já soube o que aconteceu?
- D. Anita, pelo amor de Deus, saber o que?-
Luis... o Sr. Luis morreu ontem à noite. Ele passou mal a tarde e alguém o socorreu, levaram-no para o hospital, mas ele não resistiu. Teve um enfarte, foi fulminante.
Oh! Meu Deus! Sr. Luis se fora para sempre. Era inacreditável!. Que triste notícia!
Bom, querido leitor, pode imaginar o quanto foi uma perda grande para todos nós.
Sr. Luis era uma pessoa maravilhosa e deixava saudades, muita saudades.
Mas, a vida de todos tem que seguir em frente, e por mais difícil que fosse, era necessário tomar os procedimentos cabíveis.
Coube então a todos os amigos mais próximos ajudar no que fosse preciso.
Sr. Luis era uma pessoa maravilhosa e deixava saudades, muita saudades.
Mas, a vida de todos tem que seguir em frente, e por mais difícil que fosse, era necessário tomar os procedimentos cabíveis.
Coube então a todos os amigos mais próximos ajudar no que fosse preciso.
Alguns dias depois, resolvi guardar os pertences pessoais do Sr. Luis numa caixa e doar para alguma Instituição o que não fosse necessário. Quando peguei a sua carteira percebi um pedaçinho de papel já amarelado pelo tempo, dobrado e escondido. Curiosamente, resolvi abri-lo e me surpreendi com a mensagem que li.
Dentro, com um desenho de coração, estava escrito: Anita, meu grande e eterno amor!
Fiquei atônita, pensando que o amarelado daquele daquele papel talvez representasse o tempo que ambos perderam em viver uma linda estória de amor. Ah! Deus, quanto tempo perdido e impossível de recuperar. Que pena, realmente!
Fiquei muitos dias pensando nisto.
Dentro, com um desenho de coração, estava escrito: Anita, meu grande e eterno amor!
Fiquei atônita, pensando que o amarelado daquele daquele papel talvez representasse o tempo que ambos perderam em viver uma linda estória de amor. Ah! Deus, quanto tempo perdido e impossível de recuperar. Que pena, realmente!
Fiquei muitos dias pensando nisto.
Quantas vezes deixamos de viver o que queremos, ou sonhamos, por vergonha, medo, insegurança, timidez, medo de errar...
E quantas vezes erramos por não tentar.
E quantas vezes não vivemos o presente, esperando o amanhã chegar.
E quantas vezes erramos por não tentar.
E quantas vezes não vivemos o presente, esperando o amanhã chegar.
E quantas vezes ele nunca chega!
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