Roberto era um garoto de 10 anos. Eu o conheci na Praça da república, numa tarde fria de inverno. Ele estava deitado no chão, encolhido, maltrapilho e pedinte.
Como parei há poucos metros de onde ele estava, fiquei observando aquela cena deprimente e senti um aperto no coração. Observei que quase ninguém parava, lhe dava algo, ou sequer o notava, e quando cheguei mais perto ouvi que ele pedia dinheiro para comprar um lanche.
Resolvi que eu lhe compraria, e fui até ele estendendo-lhe o lanche entre as mãos.
Quando virou o rosto para mim, os seus olhinhos brilhavam de gratidão e pude perceber que era um menino bonito, muito maltratado e sujo, mas bonito.
Fiquei olhando a maneira esfomeada como ele devorava o sanduiche e passei a conversar com ele. Disse que se chamava Roberto, tinha dez anos e morava nas ruas.
Um senhor gritou do outro lado: - não fica perto desse aí dona, é só mais um ladrãozinho drogado. Ele vai lhe roubar. O garoto então teve uma reação de delinqüência e o mandou para aquele lugar.
Fiquei em silêncio, mas não saí de perto dele.
Perguntei sobre a sua família. Contou-me que tinha uma mãe, cinco irmãos, uma tia que morava em Campo Limpo Paulista, e que não conhecia seu pai. Tinha morrido assassinado, quando ele ainda era bebê.
De repente, desconfiado, perguntou-me porque eu queria saber tanto da sua vida. Eu lhe disse que era apenas curiosidade, que não precisava contar mais nada, se não quisesse.
Ele respondeu: - tudo bem, pode perguntar se quiser. Senti que ele confiara em mim.
Ok, Roberto já te disse que é muito bonito? Só precisa tomar um belo banho. No que ele sorriu, e passou a mão, com as unhas pretas no cabelo.
Perguntei quanto tempo não tomava um banho. Ele disse: - sete dias. Só tomo banho de sábado, no albergue.
Eu perguntei por que dormia nas ruas? Ele disse:- por que não tenho casa. Todas as vezes que voltava para casa, minha mãe me batia, porque queria mais dinheiro, dizia que eu era inútil e que nem para pedir prestava. Resolvi então que não ia voltar mais. Isso já tem mais de um ano.
Perguntei por que cheirava cola? Ele disse: - para espantar o frio, a cola esquenta o corpo, e na rua não tem cobertor.
Perguntei se ele tinha algum sonho? Ele disse: sim, ter comida todos os dias!
Perguntaria o que ele pediria para Deus? Ele disse: ter uma mãe como você!
Bom, estava na hora de ir, procurei disfarçar as lágrimas e lhe dei a mão para me despedir. Mas quando olhei para Roberto pude notar que os seus olhinhos também estavam cheios de lágrimas.
Acho que os fatos por si só dispensa os comentários.
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