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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Sr. JOVINO - 11º episódios - ¨ liçao de vida ¨

Sr. Jovino era vice- diretor de uma escola estadual em que trabalhei por um período temporário.
Sr. Jovino tinha um gênio difícil, embora o seu temperamento alternasse com  momentos de mal-humor e simpatia, possivelmente  bipolar, mantinha mais o seu lado agradável e simpático, felizmente.
Era um senhor com normas rígidas para com o grupo de alunos e dessa forma conseguia manter a disciplina interna da escola.
Como eu trabalhava no último período (noturno), ele sempre me dava uma ¨carona¨, o que me beneficiava muito, uma vez que  era tarde da noite e eu dependia de condução para voltar para casa.
O percurso era sempre agradável, uma vez que o Sr. Jovino tinha o hábito de dirigir contando estórias e passagens , geralmente engraçadas,  da sua vida pessoal e profissional.
Foi numa dessas noites, que aconteceu um fato  dramático, curioso e divertido.
Quando saíamos da escola e o vigia tinha acabado de fechar os portões, um homem, visivelmente embriagado se posicionou  a frente do carro, levantou as duas mãos, e permaneceu impassível.
Sr. Jovino, já sem a paciência habitual do seu temperamento, gritou-lhe:
- Ô  infeliz, que está fazendo aí, saia já daí!
No que o homem respondeu, sem vacilar.
- Não saio não Sr.,  represento o Presidente da República e ninguém me tira daqui!
Sr. Jovino deu-me uma olhada de canto de olho, e já para perder a paciência, gritou:
- Ah! Presidente é?  seu engraçadinho, se arranca daí, seu grande  presidente; ¨bebum¨, ¨filho  d´uma égua¨,  se não quiser que eu lhe tire a força!. E fez menção de ligar o carro. 
O homem permaneceu impassível, sem mover um passo, e  muito tranqüilo, despejou:
- Desculpe Senhor, mas está preso por desacato a uma autoridade, art._do código penal, reclusão de _ anos, mais calúnia e difamação, art. _ do código penal, reclusão de _ anos, mais discriminação e preconceito social, art. _ do código penal, reclusão _ anos, mais... e continuou descrevendo todos os artigos pertinentes a situação.
Depois disso, estupefatos, Sr. Jovino e eu ficamos sem palavras.
Quem era aquele homem, fisicamente tão destruído e acabado, mas com um conhecimento tão rico e abrangente na área jurídica  e que se expressava tão bem, com tamanha convicção dos direitos legais. Valia à pena conhecer melhor aquele ser.
Sr. Jovino então desceu do carro, e perguntou-lhe seu nome. Ele disse que se Chamava Luis (não sabia o resto), como o presidente da república que ele tanto admirava, e que lembrava-se no passado  ter estudado curso de  Direito na Universidade. Hoje em dia ele era apenas um desmemoriado, sem família, que vivia pelas ruas levantando a bandeira do nosso presidente; defendendo seus ideais e que gostava de uma ¨pinguinha¨. Era tudo que ele sabia sobre si mesmo.
Sr. Jovino então estendeu a mão para um cumprimento, e lhe disse:
- Certo presidente,  tive muito prazer em conhecê-lo. Boa sorte para o Senhor.
Ao que ele respondeu:
- Igualmente cidadão, porém, se me permite, com muito respeito, gostaria de deixar-lhe uma mensagem: - não deves nunca julgar uma pessoa por sua aparência, nunca se sabe o que ela leva por dentro. Pode haver em seu interior uma rica e preciosa bagagem, que além do conhecimento, pode estar repleta de sentimentos. Ah! e que  também pode lhe ensinar muitas coisas.  A vida é uma caixa de surpresas.
Boa noite Senhor, agora pela sua educação, devo sair da frente do seu carro.

Pela primeira vez, cada um com suas reflexões, seguimos a viagem totalmente em silêncio.









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