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quinta-feira, 30 de junho de 2011

DINO - 40º episódio - ¨pessoas especiais ¨

Dino foi uma pessoa muito especial. Era um homem forte e robusto. Uma pessoa sensível que gostava de ajudar os outros.
Era o primeiro de uma família numerosa de oito irmãos. Aos dezoito anos, saiu sozinho de sua cidade de origem no interior de Minas gerais e veio para São Paulo tentar outras oportunidades.  Era muito humilde, ¨matuto ¨mesmo,  e por isso sofreu preconceitos e discriminações. Mas não desistiu e  aqui em  São Paulo aprendeu uma profissão, comprou uma casa, conheceu sua esposa e construiu uma família.
Travou várias lutas em sua vida.
Aos 40 anos ficou viúvo  e enfrentou com coragem a difícil tarefa de criar os dois filhos ainda pequenos, mas cumpriu o seu papel com dignidade.
Por muitos anos foi um ser dependente e vítima do álcool. Chegou ao extremo de cair pelas ruas e ser carregado para voltar para casa,  até que tomou a decisão sábia de parar e reconstruir sua vida. Freqüentou  A.A. (Associação Anti Alcóolica) por muito tempo e se apegou com tanta determinação, que conseguiu se libertar definitivamente da bebida. Ele tomou essa batalha como um desafio e venceu.
Aos 60 anos descobriu um câncer de próstata. Encarou a doença com coragem e não deixou  que o abatesse. Seguiu rigorosamente o tratamento  e lutou muito para viver. A doença infelizmente o castigou fisicamente e a cirurgia deixou seqüelas. Teve que conviver por muitos anos, com uma incontinência urinária que o obrigava usar fraldas, e com o fato de tornar-se impotente sexualmente o que para ele foi o mais difícil. Mas nunca lamentava e sempre teve esperanças.
Aos 65 anos, descobriu um novo câncer. Dessa vez um câncer de boca, já em estado avançado que foi diagnosticado absurdamente por muito tempo como um tipo de afta.
Essa batalha era terrível. O câncer era agressivo e maltratava muito. Começou a perder peso e ter dificuldades para engolir.  Com o tempo passou a ter dores horríveis  nas costas e tomar remédios fortíssimos. O câncer já havia se espalhado pelo pulmão. Nessa altura, já não escondia as lágrimas. Chorava e pedia ajuda. Estava muito magro e debilitado.
Muitas vezes eu estive ao seu lado e chorei junto com ele.
A quimioterapia era desgastante, mas necessária, passávamos horas aguardando ser atendido no corredor do hospital.  Eu vi e presenciei muitas vezes, aquele ¨ bolinho humano de ossos ¨ ser colocado na mesa  para o procedimento  e me partia o coração.
Nessas horas eu pensava por que tinha que ser assim? Por que a vida às vezes tinha que ser  tão cruel para alguns escolhidos?  Mas, com certeza,  não cabia a mim a compreensão para os desígnios de Deus.
Um dia, quando Dino estava no leito do hospital já em fase terminal, com sonda e oxigênio pelo corpo, ainda teve  forças para perguntar num fio de voz, se  estava melhorando.  Ele tinta tanta vontade de viver, era tão ¨guerreiro ¨ que apesar do sofrimento não perdia as   esperanças.
Eu lhe dizia que sim, que estava reagindo  e ia ficar bem. Mas foi o seu  ultimo dia de vida.
Ele faleceu naquela noite.
Dino se foi, mas deixou-nos tanta saudade, tantas lembranças, tantos exemplos...
Será sempre alguém inesquecível para mim,  será  eternamente meu irmão querido!

Vida e Morte. Como ser tão evoluidos o bastante para não chorar ou sofrer?
Não tenho a resposta.



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