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quinta-feira, 30 de junho de 2011

RENATO - 20º episódio - ¨ não desisto ¨

Renato tinha 22 anos. Sofreu um acidente  de carro quando tinha dezoito anos e ficou tetraplégico.  Nunca sorria, estava sempre triste e revoltado com o seu destino.
Dizia que já não suportava mais viver, que as pessoas pensam que esse tipo de deficiência apenas imobiliza os movimentos, mas não é assim, as dores são horríveis e  os remédios  maltratam. Segundo os médicos, a cura era praticamente impossível, e ele teria que conviver com essa realidade para o resto dos seus dias. Já não tinha mais motivação ou esperança. Queria morrer,  e vivia a  mentalizar formas para isto. Mas até isto era difícil, segundo ele, por conta da  sua incapacidade de conseguir os instrumentos ou recursos para executar  sua vontade.
A estória dele era comovente e o seu desejo, a meu ver, discutível.
Um dia, fiquei pensando o que ainda se poderia fazer, para  alimentar aquela vida já tão submersa na desilusão, e não desistir, pelo menos de sonhar...
Confesso que fiquei pensando muitos dias e foi difícil chegar a uma conclusão, mas tinha que haver algo que justificasse a sua vida e comecei a analisar tudo o que ele tinha.
Finalmente  conclui que,  tudo  o que ele tinha era a mente, e por sinal, uma mente brilhante. Então o caminho era por aí.
Passamos então a conversar sempre, e comecei a explorar  esse potencial de Renato. Disse-me que gostava de ler, era uma forma de distrair-se e não pensar tanto no seu sofrimento. Tinha estudado até o 2º ano de comunicações. (Bem, agora dava para entender).
Começamos a falar sobre trabalho, e lhe perguntei por que não enviava currículos para editoras ou redações para tentar alguma coisa.  Ele ria-se bastante e perguntou porque eu gostava de debochar dele.
- Claro que não. Eu lhe disse, estava falando sério.Expliquei que hoje em dia, as empresas oferecem muitas oportunidades para deficientes e ele tinha formação e potencial para isso. O máximo que podia acontecer era ser recusado, mas ele não perderia nada com isso. De qualquer forma, achei por bem deixar claro que não criasse muita expectativa, porque o mercado de trabalho não estava fácil para ninguém. Mas o que ele perderia por  tentar?
O meu objetivo, na verdade, era fazê-lo sentir-se vivo e  procurar distraí-lo um pouco.
Mas a  idéia foi se fortalecendo, e decidimos fazer  um bom currículo, imprimir várias cópias e enviar para várias empresas do ramo. Isso acabou virando um ritual constante e semanal.
Passei a visitá-lo dois sábados ao mês e montamos um, pode-se dizer;  escritório de trabalho. Passávamos horas enviando currículos, criando blogs e divulgando suas qualificações.
Os mêses foram passando, Renato já estava resignado, e um pouco abatido, mas eu nunca o deixava desistir, procurava sempre uma forma de motivá-lo para que não parasse.
Acostumamos à fazer sempre uma oração nestes momentos. Buscar a Deus também podia fazer toda  a diferença, insistia muito nisso. Deus é fé, é esperança, é vida.
Hum ano e quatro meses depois, uma correspondência de uma famosa editora, chegava até  a residência de Renato, convidando–o para uma entrevista on-line, com data e horários marcados. Pronto. O sonho quase impossível se materializava.
Renato hoje presta colaboração, (através da sua casa, onde ampliou o pequeno escritório), como redator de textos e colaborador para uma importante editora gráfica. Evidentemente tem uma auxiliar que lhe ajuda na parte de digitação, mas ainda assim, quando quer, ele próprio digita algumas coisas, com a prática que adquiriu através  de práticas e exercícios com a boca. Tornou-se uma pessoa otimista, alegre e motivado.
Renato vive no bairro de São Miguel Paulista,  é o exemplo vivo da superação.

Há sempre um caminho disposto por Deus, mas nós temos que buscá-lo.
Deus sempre lembra dos seus filhos, quando se lembram dele.










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