D. Maria Leonor é uma senhora idosa, humilde, de aparência frágil e cansada. Moradora da zona leste em São Miguel Paulista, evangélica por religião, ela se fortalece em sua fé, como um suporte para enfrentar as adversidades que a vida lhe propõe. Possui uma grande força interior.
Viúva há 8 anos, ficou-lhe a imcumbência de cuidar sozinha do filho Evaristo, um rapaz esquizofrênico total, que requer todos os cuidados, pois não tem domínio e nem controle sobre si mesmo.
Não é fácil, e quando os visitei pela primeira vez, confesso que fiquei um pouco chocada com a situação. O rapaz vive trancado com cadeado, num pequeno quarto. Nesse seu pequeno habitat, ele come, dorme, e faz suas necessidades fisiológicas. Não há higiene e nem ventilação. Tem os dentes estragados, se machuca batendo a cabeça nas paredes, e baba constante, o que dá-lhe uma aparência quase desumana.
Num primeiro momento, dá vontade de tirá-lo dali e procurar qualquer forma de ajuda, que possa oferecer uma condição de vida digna para aquele ser; mas não é tão simples assim.
A única referência, atendimento e cuidados que Evaristo tem é o da mãe, D. Maria.
O Estado não interna mais esses deficientes. Com o novo conceito de inclusão social, entende-se que a família tem que dar assistência e abrigo necessários para esses doentes, (o que, em minha opinião, é questionável, em casos como o de D. Maria Leonor).
A situação é dramática. Evaristo exige uma dedicação e atenção constantes. Para tomar banho o rapaz tem que ser amarrado, a comida é fornecida pela pequena janela com grades, e para completar a situação, soma-se a isto a situação de pobreza, pois D. Maria sobrevive do pensão do marido, que não alcança nem dois salários mínimos.
Como condenar aquela mulher por manter o seu filho nestas condições? Que direito temos de julgar quando não movemos um gesto para fazer alguma coisa? Ela também é vítima da situação e também está prisioneira do seu próprio drama. Duas pessoas, duas vidas, sem apoio, sem ajuda, sem proteção, sem amparo legal...
Todos somos responsáveis.
Eles estão lá, esquecidos, no mesmo endereço, lutando um dia após o outro, enfrentando suas dificuldades, e acredito, alimentando seus sonhos...
Só para reflexão: Ainda dá tempo!
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