Fernanda tinha 24 anos, era psicóloga de uma Instituição pública; linda, educada, carinhosa. Sua juventude transpirava pelo ar, demonstrando atitude, coragem e alegria, mas, curiosamente, demonstrava toda maturidade e sabedoria que um profissional precisa para realizar um bom trabalho. Passou-me confiança e sinceridade.
Eu a conheci num momento difícil da minha vida, quando minha mente teimava em repetir e e ecoar certas palavras o tempo todo: socorro, preciso de ajuda.
Sentia-me um bichinho acuado, magoado, muito triste e infeliz, com medo de tudo e de todos.
Algumas vezes até no limiar da loucura. Não entendia minhas aflições.
Fernanda recebeu-me com muito carinho e disposição para ajudar.
Sentia-me bem. Nestes momentos eu tinha alguém para me ouvir, me conhecer , me direcionar, sem preconceitos, e com quem eu podia colocar pra fora minhas emoções e revelar todos meus conflitos sem medo de ser julgada e condenada. Ali estava eu, na minha essência absoluta, com meus erros,defeitos, desejos e pecados.
Os atendimentos se tornaram parte da minha vida e as seções me absorviam completamente. A sexta- feira se tornou um dia especial. Era um ritual de conforto e liberdade, e como sempre a emoção fluía, chorava muito, mas ela estava ali para me oferecer um lenço ou escutar-me, simplesmente. Não falava quase nada, apenas me ouvia.
Em alguns momentos eu questionava o que mudara em minha vida com Fernanda?
Mas a resposta vinha na alegria que tinha ao conduzir-me as sextas – feiras ao consultório, na determinação, esperança e vontade que surgiam, cada vez mais, para mudar a minha vida...
Fernanda me dava os instrumentos que eu precisava para saber lidar melhor com os meus conflitos, ou suportar minhas fraquezas.
Procurava acreditar nisto e seguir em frente.
Um dia eu lhe disse: Creio que todos nós temos um pouco de loucos dentro de cada um de nós, não somos perfeitos e a medida exata do que é ser ¨normal¨ está no conceito de cada um. Podemos ser loucos por achar que somos, ou justamente por achar que não somos...
É tão ¨louco¨ tudo isso que há grandes mestres e pessoas ilustres que só desenvolveram suas habilidades quando se sentiram loucos para isto...
A ousadia pode ser um tipo de loucura.
A serenidade extrema pode ser um tipo de loucura.
A genialidade pode ser um tipo de loucura.
Então que, ser loucos está na interpretação de cada um.
Hitler, Jesus Cristo, Santos Dumont, Sócrates, Galileu Galilei, Isaac Newton, Leonardo da Vinci, Gandhi, Raul seixas, Michael Jackson, gênios da humanidade, tiveram o estereotipo de loucos.
Sabe o que me disse: - Que loucura não?. Se assim caminha a humanidade, então, acho que pode sentir-se normal. Voce não precisa mais de mim, já achou as suas respostas.
Bem, nem preciso dizer o quanto demos boas risadas.
A partir daí, pude sentir o quanto ela me alcançava. Era brilhante e convincente. Tinha as palavras certas, no momento certo.
Fui para casa com um sentimento diferente.
Eu era uma mulher passional, de fortes sentimentos. Talvez para alguns fosse melhor afastar-se de mim mesmo, pois na minha ¨ loucura ¨ que eu chamo de carência, eu exigia muito das pessoas. Até aquele momento fui vítima de mim mesma, mas dali pra frente teria um novo olhar sobre a minha vida.
Teria que aprender a conviver comigo mesma, com a minha vida solitária, sem sofrer, porque também os ventos mudam de direção , as estações mudam de clima,
E há um novo amanhecer todos os dias...
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