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quinta-feira, 30 de junho de 2011

RODRIGO - 18º episódio - ¨amor fatal ¨

Conheci  Rodrigo quando iniciava o curso de letras na faculdade Brás Cubas, em Mogi das Cruzes. Lembro dele com muito carinho e saudade.
Era um rapaz inteligente  e interessante  que cursava o primeiro ano de engenharia.
Identificávamo-nos  em muitas coisas, e Logo nos tornamos grandes amigos. Não havia interesse sexual ou sentimental,  era realmente uma relação de amizade. Éramos cúmplices e compartíamos tudo sobre o outro.
Na hora do intervalo, já tínhamos um ponto certo para nos encontrar e comentar as novidades do dia. Falávamos sobre tudo, e principalmente sobre os assuntos da faculdade.
Luana era uma amiga de curso. Era casada e mãe de um filho. Não  tínhamos muito em comum, mas como estava sempre por perto, passou a participar das nossas conversas.
Conforme o tempo foi passando percebi que Luana e Rodrigo ficavam cada vez mais próximos. Eu sentia que perdia um pouco de Rodrigo, ele agora dividia suas atenções.
Não era exatamente ciúme o que eu sentia, mas quando  os via tão unidos, brotava dentro de mim um  sentimento de preocupação que eu não sabia explicar porque, mas  que algum tempo depois, infelizmente,  eu iria entender.
Rodrigo permanecia fiel a nossa amizade, e um dia se abriu comigo. Estava apaixonado por Luana. Eu fiquei preocupada com a situação, uma vez que Luana era comprometida e tinha um casamento de quatros anos. Rodrigo me disse que já haviam se beijado e que ela retribuía o mesmo sentimento.  Não cabia a minha pessoa julgá-los e criticá-los, apenas como amiga de Rodrigo, procurei alertá-lo dos perigos e possíveis complicações desse relacionamento. Rodrigo me disse que ia tentar afastar-se de Luana, não cogitavam ficarem juntos por agora, ambos estavam estudando e ela tinha um filho ainda pequeno.  Era melhor terminar esse romance proibido. Eu concordei com ele.
Porém, conforme a minha intuição, não conseguiram  parar o que já haviam começado e continuaram se envolvendo.  A partir daí,  eu procurei ficar neutra e não ter mais participação nenhuma  no relacionamento deles,  tanto que a nossa amizade esfriou um pouco e passamos a conviver bem pouco.
O caso dos dois se estendeu por  quase um ano, quando a casa desabou. Uma noite qualquer,  o marido fora buscá-la na faculdade e Luana não estava. Tinha saído com Rodrigo e ambos não estudaram naquela noite. Ele tomou informações e soube que Luana saía sempre de carro com um rapaz da faculdade.
Segundo o que eu soube depois, nessa noite, ele voltou para casa e esperou a esposa pacientemente. Luana chegou normalmente, com os livros nas mãos  e  aparência tranqüila.  Quando ele perguntou sobre a aula do dia, ela respondeu que fora tudo bem, sem novidades. Ao que ele lhe desfechou um tapa no rosto e lhe chamou de vagabunda! Em seguida obrigou-a contar com quem ela andava e a fez contar quem era Rodrigo. 
Ele estava fora de si, mas o desfecho dessa estória Luana nunca  poderia prever.  
Rodrigo levou um tiro direto no peito  que o matou instantaneamente.   
Infelizmente, por imaturidade de ambos, o relacionamento  terminou com essa tragédia. Rodrigo, meu amigo querido, um rapaz cheio de sonhos e  vitalidade  perdeu a vida estupidamente. 
O marido foi preso e deve passar  os melhores anos da sua vida na cadeia e
Luana, carrega consigo uma triste sentença, amargará para sempre o remorso  por ter sido tão inconseqüente e leviana.
Parou os estudos,  e nunca mais a vi, mudou-se não se sabe pra onde, ou talvez preferiu fugir de tudo. O único problema é que não conseguirá fugir de si mesma.
Uma estoria triste, mas real.

Esse final poderia ter sido diferente, mas acredito que a  vida é feita de escolhas e  que sempre colhemos o que plantamos, temos que plantar boas sementes hoje para uma boa colheita amanhã.






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