D. Jandira era uma senhora agradável, na faixa dos seus 60 anos.Tinha o essencial para viver, uma boa casa, com boa mobília, um belo jardim, uma varanda confortável e a aposentadoria do marido que lhe garantia pagar as contas e manter os seus gastos extras, sem depender de ninguém. Uma vida confortável.D. Jandira não teve filhos, e como companhia apenas um papagaio que tratava de fazer as honras da casa tagarelando de vez em quando, mas nem por isso demonstrava alguma tristeza ou solidão, ao contrário, dizia que sentia-se perfeitamente feliz com a sua vida, sem ninguém para ¨ encher o saco ¨- falava entre risos. Quando a visitava sentia uma espécie de relaxamento, porque a tranqüilidade como vivia e o ambiente silencioso e agradável, proporcionava-me um grande bem estar.Assim que, numa dessas visitas rotineiras eu não esperava encontrar um rapaz de anatomia forte, musculoso e bonito, respirando toda a sua juventude, tomando um suco de açarola, instalado comodamente na poltrona da sua casa... Fiquei um pouco sem jeito e então, D. Jandira apresentou-me. Ele se chamava Fernando,era seu namorado.Bem leitor, pode imaginar como fiquei sem reação, mas procurei recompor-me rapidamente para não demonstrar meu espanto. Aquele rapaz não tinha mais que trinta anos.Pedi desculpas por chegar sem avisar e saí. Disse-lhe que voltaria em outro momento.Mas não precisei voltar depois para saber toda a estória. D. Jandira telefonou-me naquela mesma noite. Contou-me do seu envolvimento com aquele rapaz. Disse-me que muitas vezes sentia-se só e queria preencher esses momentos, que estava feliz como há muito tempo não acontecia, e que nessa altura da vida só tinha a ganhar com essa estória, esperava que eu compreendesse e não a julgasse mal. Claro que, apesar da surpresa e preocupação por ela, procurei não ser indelicada e lhe disse que estava tudo bem, que não tinha que explicar-me nada, e que o mais importante era ela estar feliz... Não tinha o direito de julgá-la. Mas D. Jandira não havia completado a estória. Pediu-me que a visitasse no dia seguinte.Quando cheguei lá, ela me levou ao quarto e imediatamente mostrou-me o presente que comprara para Fernando. Era uma jóia preciosa, uma corrente grossa, de ouro maciço, que avaliei ter custado uma pequena fortuna.Bom, o que poderia lhe dizer? A verdade é que a jóia era belíssima, ele certamente ficaria encantado!Um pensamento me veio a cabeça, e atrevi-me a perguntar-lhe se costumava lhe dar presentes? Ela disse que sim, vários presentes, (artigos caros porque ele tinha bom gosto) mas fazia isso com prazer, porque ele ficava muito feliz e até já insinuara morar com ela, sendo tão paparicado assim... Então era isso... pensei, sentindo um pouco de mal-estar. Perguntei em que ele trabalhava. Ela disse que ele estava abrindo um negócio por conta e que havia lhe pedido ajuda financeira; claro que ele devolveria tudo a ela depois, quando a empresa estivesse dando lucro, mas ela confiava nele. Ah! Meu Deus, a coisa era mais séria do que eu pensava. Sai dali, pensativa e preocupada. O que eu poderia fazer? Até onde poderia intrometer-me nessa estória? Mas, e se estivesse errada? Decidi que deveria esperar mais um pouco.Mas, infelizmente, estava certa. D. Jandira passou a gastar toda sua renda com Fernando.
Eu achava que ela não enxergava as articulações e propósitos dele, pois estava completamente cega e enamorada.
Um dia, resolvi conversar com ele. Fui direto ao assunto, e perguntei-lhe na lata, porque estava fazendo isso com ela. Já havia lhe sacado muito dinheiro, porque não a deixava, ela não merecia perder tudo que tinha. Além disso, estava muito iludida com ele e só Deus sabe o que poderia acontecer à ela quando descobrisse que tudo era um golpe...
Ele simplesmente encarou-me friamente e me disse:
- Você está perdendo seu tempo, moça, ela sabe toda a verdade. Não sou eu que a estou enganando, ela é quer ser enganada, não entende? Se tem dúvidas e não acredita, converse com ela e pergunte-lhe se já lhe pedi ou prometi alguma coisa. Ela faz porque quer, porque sabe que somente assim eu estarei com ela e tem medo de me perder. Ela está bem consciente disso, entende? Eu a faço feliz, dou o que ela quer, é uma troca, vamos dizer um negócio bom para ambos. E se foi com um sorriso irônico nos lábios.
Bem leitor, depois disso, resolvi calar-me. Cheguei a arrepender-me de tê-lo procurado, mas já o tinha feito, não tinha mais jeito. Um pouco envergonhada, fui embora. Bem feito para mim, por ter-me metido nessa estória.
Depois disso, passei a policiar-me mais e ser menos impulsiva, parar de ver o mundo com um padrão de comportamento moral que eu achava cero ou perfeito. Isso não existe, somos livres e donos de nossas atitudes, perfeitamente capazes de definir os nossos próprios valores, sejam eles certos ou errados, são nossas escolhas!
Eu achava que ela não enxergava as articulações e propósitos dele, pois estava completamente cega e enamorada.
Um dia, resolvi conversar com ele. Fui direto ao assunto, e perguntei-lhe na lata, porque estava fazendo isso com ela. Já havia lhe sacado muito dinheiro, porque não a deixava, ela não merecia perder tudo que tinha. Além disso, estava muito iludida com ele e só Deus sabe o que poderia acontecer à ela quando descobrisse que tudo era um golpe...
Ele simplesmente encarou-me friamente e me disse:
- Você está perdendo seu tempo, moça, ela sabe toda a verdade. Não sou eu que a estou enganando, ela é quer ser enganada, não entende? Se tem dúvidas e não acredita, converse com ela e pergunte-lhe se já lhe pedi ou prometi alguma coisa. Ela faz porque quer, porque sabe que somente assim eu estarei com ela e tem medo de me perder. Ela está bem consciente disso, entende? Eu a faço feliz, dou o que ela quer, é uma troca, vamos dizer um negócio bom para ambos. E se foi com um sorriso irônico nos lábios.
Bem leitor, depois disso, resolvi calar-me. Cheguei a arrepender-me de tê-lo procurado, mas já o tinha feito, não tinha mais jeito. Um pouco envergonhada, fui embora. Bem feito para mim, por ter-me metido nessa estória.
Depois disso, passei a policiar-me mais e ser menos impulsiva, parar de ver o mundo com um padrão de comportamento moral que eu achava cero ou perfeito. Isso não existe, somos livres e donos de nossas atitudes, perfeitamente capazes de definir os nossos próprios valores, sejam eles certos ou errados, são nossas escolhas!
Não era o que eu gostaria para ela, mas era o que ela queria ou tinha para sim e pensei tristemente, que; apesar de tudo, mesmo comprando a felicidade, era um direito dela.
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