Marcos era maquinista de trem.
Conhecemo-nos quando eu fiz um trabalho temporário para a CPTM, e era nosso posto de trabalho a mesma estação.
Era um rapaz jovem, por volta dos 30 anos, com cabelos compridos, encaracolados e estilo despojado. Tinha uma boa aparência, um emprego estável e dinheiro no bolso. Usava sempre calças jeans e camisetas claras, e tinha uma maneira muito agradável de ser. Era simpático e afetuoso com os amigos, porém tinha os olhos tristes.
O problema de Marcos tinha um nome: Letícia.
Marcos era casado, e tinha paixão pela mulher. O problema é que esse relacionamento era conturbado e confuso, regado a traições e enganos.
Letícia era uma moça loira, realmente muito bonita, com um belo corpo e cabelos sedosos. Usava roupas apertadas e sensuais e chamava a atenção por onde passava.
O problema é que Letícia traía Marcos com outros homens, descaradamente.
O problema é que Letícia traía Marcos com outros homens, descaradamente.
Não tinha pudor ou discrição. Insinuava-se, e tinta muitos amantes, alguns até amigos do casal e até companheiros de trabalho de Marcos.
Leitor, certamente, eu seria leviana aqui se fizesse uma declaração desse tipo, sem conhecimento de causa, uma vez que o livro é baseado em fatos reais, posso-lhes garantir que a informação é verídica, pois eu vi com meus próprios olhos e presenciei a traição por mais de uma vez, lamentavelmente para Marcos.
A estória não seria tão incomum, (uma vez que vivemos hoje num mundo de traições e vulgaridade), se não fosse por um detalhe mais absurdo ainda. MARCOS SABIA, e garanto-lhes que não foi por mim. Sempre soube, e há muito tempo convivia com as traições da mulher, como passando uma venda em seus próprios olhos. Era o seu mecanismo de defesa, a forma que encontrou para lidar e conviver com a situação.
A estória não seria tão incomum, (uma vez que vivemos hoje num mundo de traições e vulgaridade), se não fosse por um detalhe mais absurdo ainda. MARCOS SABIA, e garanto-lhes que não foi por mim. Sempre soube, e há muito tempo convivia com as traições da mulher, como passando uma venda em seus próprios olhos. Era o seu mecanismo de defesa, a forma que encontrou para lidar e conviver com a situação.
Conversamos algumas vezes sobre isso e por muitas vezes eu tentei ¨sacudi-lo¨, mesmo compreendendo suas razões, eu era sua amiga e não aceitava que ele fosse tão tolo e manipulado assim. Para mim era um insulto cruel por parte dela.
Um dia lhe disse: - Por que aceitar isso de uma mulher?
Ele me disse: - Não sei, sou um fraco, talvez... Eu a amo, não posso viver sem ela.
Insisti: - Mas não ama mais do que a você mesmo. E a sua dignidade?
Insisti: - Mas não ama mais do que a você mesmo. E a sua dignidade?
Ele: - O que vou fazer com ela se perder o que mais quero nesta vida?
Fiquei consternada, mas não tinha mais o que fazer. Todo indivíduo têm as suas escolhas e a de Marcos fora essa. Não tinha estrutura emocional para se libertar da situação.
Preferia viver assim, humilhado e traído, mas com a mulher que ele queria e julgava amar. Era um direito dele, pleno e absoluto.
Preferia viver assim, humilhado e traído, mas com a mulher que ele queria e julgava amar. Era um direito dele, pleno e absoluto.
Lamentei a sua fraqueza, mas procurei respeitar, era meu amigo querido e não haveria ninguém mais para compreendê-lo.
Não devemos julgar a conduta do outro, sem ouvirmos suas razões. Somos seres humanos, imperfeitos, alguns passionais, doentios e conduzidos por emoções. Assim era Marcos.
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