Kalina foi minha psicóloga, 32 anos, bonita, simpática, inteligente, segura. Esbanjava vitalidade e confiança. Achei-a um tanto jovem demais, mas me transmitiu confiança e desde a primeira seção gostei dela. Senti que valeria a pena arriscar o tratamento, e quem sabe, renderia frutos.
Eu sempre questionei muito a psicologia. Não tinha noção do quanto ela pode nos revelar sobre nós mesmos. A busca do auto-conhecimento que pode transformar nossas vidas... Na verdade, fui procurá-la induzida e convencida por uma amiga, mas sem muita credibilidade. Apenas, fui. Hoje, posso dizer que mudei completamente os meus conceitos.
Estava numa fase muito difícil da minha vida, com muitos problemas; de toda ordem, e tinha acabado de me separar. Estava em crise total, até com minha idade, e por conseqüência, num estado depressivo.
O mais curioso é que eu devia tê-la detestado no primeiro momento, porque eu não me sinto confortável quando se referem a mim como senhora, e foi a primeira coisa que ela me disse. - Tudo bem senhora?. Não gostei de ouvir, mas tomei o cumprimento com indiferença, porém, foi apenas por um momento, porque Kalina logo demonstrou uma simpatia envolvente e me fez esquecer completamente o episódio. (Mais tarde eu compreenderia que até isso serviria como reflexão, porque muito trabalharíamos a questão da idade). A partir daí procurei vê-la como profissional e fiquei completamente à vontade.
As seções me absorviam completamente, era muito bom poder contar e desabafar os meus conflitos, em confiança, sem julgamentos e pressão sociais. Eu me sentia bem. Tinha alguém que me entendia, pronta para me ouvir e me direcionar. Ali estava eu,em minha essência absoluta, com meus erros, defeitos, desejos e pecados...
Chorava sempre, porque a emoção fluía.
Kalina não era sempre gentil e delicada em sua conduta, mas eu entendia que o tratamento também consistia em não me proteger, era importante também dizer-me o que eu precisava ouvir. E ouvia muitas vezes...
Num determinado momento ela me disse que o psicólogo contribui com 5% para um resultado positivo no tratamento, o restante está em nós mesmos. Achei absurdo ouvir aquilo, porque naquela hora pensei que estava pagando caro, para um profissional me dizer que a minha cura dependia 95% de mim... Naquele instante tive vários questionamentos. - Que papel ela representava nessa história?, Qual a finalidade do psicólogo na vida das pessoas? O que eu estava fazendo ali? Por que eu continuaria a gastar meu tempo e dinheiro?...
Mas aos poucos fui encontrando todas as respostas. Ela me dava instrumentos para compreender o que eu não compreendia em minha vida, repensar meus valores, e assim, procurar mudar comportamentos e atitudes. Entendi que este profissional tem como papel nos ajudar a encontrar o equilíbrio emocional e encontrar as nossas respostas, com um processo de aprendizagem interior.
Uma frase dela mudou a minha vida para sempre. Não pretendo entrar em detalhes da conversa por uma questão ética, mas posso dizer que ela me fez enxergar o mundo real, entender que o ser – humano pode ser quem é, mas também pode ser aquilo que queremos que seja ou que idealizamos, por conforto, comodidade, satisfação pessoal, ingenuidade, em fim... O problema está em percebermos isto, e mudar a nossa atitude, enxergar e aceitar a realidade é o caminho. Não temos que investir no outro e sim em nós mesmos.
Fiz quatro seções, no período de um mês. Comecei a mudar minha forma de pensar e minhas atitudes. Senti necessidade de continuar a terapia, estava me fazendo muito bem. Firmei o propósito de continuar no próximo ano.
Na semana do Natal ela me enviou uma mensagem natalina. O que me chamou atenção não foi somente o conteúdo, foi perceber que ela mesma a enviou, (não foi nenhuma secretária ou serviço de postagem), demonstrando assim toda sua atenção. Um gesto simples, muito significativo para mim. Uma atitude preciosa no contexto dos sentimentos e relações humanas.
Quero mencionar que era importante citar kalina em meu livro. Ela teve um papel importante em determinado momento da minha vida, que certamente nunca vou esquecer. Fez parte da minha história, compartiu comigo todo meu sofrimento, num enredo cheio de conflitos, lágrimas, inseguranças, ingenuidade e medo, e me deu instrumentos para buscar novos caminhos, me permitindo novos conceitos, novas atitudes diante da vida para saber lidar melhor com as adversidades.
Há momentos em que precisamos de ajuda, estamos fragilizados, e não conseguimos nos direcionar sozinhos. Precisamos de apoio, de alguém capacitado, com equilíbrio, que nos ajude a levantar e enxergar outros horizontes.
Ela me orientou em muitas coisas, e me fez acreditar de novo em mim mesma, Foi uma forte reflexão e aprendizado, mas principalmente, me fez compreender que a vida é feita de escolhas. São as nossas atitudes que escrevem o nosso dito ¨destino¨. A partir daí, eu me senti como uma águia em processo de renovação. Ainda estou tentando me equilibrar, mas já me sinto mais forte, renovada, buscando novos caminhos. Obrigada Kalina.
Nenhum comentário:
Postar um comentário