Eu conheci João em 1989, em New Jersey, Estados Unidos. Ele já estava lá, chegou algum tempo antes de mim e já se situara. Era mineiro do interior de Minas gerais como eu e tinha um jeito simpático e amigo de ser, gostei dele, estava sozinha e precisava de apoio.
Estávamos num país estranho, explorando novos horizontes, e buscando melhorar de vida, como todo imigrante que vai tentar a vida lá fora.
João era muito presente e atencioso, ajudou-me de várias maneiras, mas não escondeu o seu interesse por mim.
Eu, de minha parte não correspondia da mesma maneira, mas também, reconheço não o afastei da minha vida, porque gostava da pessoa dele e queria a sua companhia.
O problema é que algum tempo depois, conheci outra pessoa por quem me apaixonei perdidamente. Era um imigrante do uruguai, que também arriscou ter ido para América com o objetivo de ser alguém em terras americanas. Não quis ser desleal e contei a verdade para João, só não esperava que ele reagisse tão mal.
Infelizmente, ele se comportou pessimamente. Passou a humilhar-se de forma absurda e tentar me dissuadir de todas as formas possíveis. Não desistia e chegou a dizer que não ficaria sem mim, fosse como fosse.
Minha vida virou um ¨ inferno ¨. Já não tinha mais liberdade para nada. Quando chegava em casa, encontrava arranjo de flôres com declarações de amor na entrada da porta, deixava mensagens terroristas por telefone e se humilhava. Chegou a simular um suicídio e internar-se num hospital para me comover. Tudo articulado, planejado. Não aceitava perder, e percebi que tudo começava a se tornar obsessivo e perigoso.
Com o tempo, passou a me seguir e numa noite de inverno tomou uma atitude extrema. Ligou-me e me disse que precisava falar comigo, que seria a última vez, que queria se despedir de mim porque decidiu mudar-se de cidade.
Estava disposto a me deixar em paz.
Eu confiei nele e permiti que fosse a minha casa, pela última vez. Pensei que era melhor assim, terminar aquela estória em paz, como amigos, se possível.
Mas eu estava inocente demais, ele não tinha essas intenções.
Quando eu fechei a porta, aconteceu de imediato. Ele estava estranho, alterado, pegou uma faca da gaveta rapidamente e com os olhos vidrados e fora de si falava coisas sem sentido, como que; Deus o iria perdoar, porque conhecia suas razões. Era necessário... Estava louco, completamente fora de si.
Achei sinceramente, que a minha vida se acabaria ali. Senti-me perdida.
Meu único pensamento foi para Deus. Clamei e supliquei em silêncio. Estava trêmula, o coração descompassado, as pernas bambas...
Mas Deus, maravilhoso, não me abandonou. Surgiu uma idéia, uma possibilidade, talvez... abraçá-lo e lhe dizer que o queria, que estava disposta a nos dar uma chance, que ele parasse com essa loucura... Era uma tentativa, podia dar certo. Alguns segundos, a diferença entre viver e morrer. O silêncio. Mas eu não estava segura, ele podia voltar atrás.
Foi quando recuou e guardou a faca no bolso. Tempo suficiente para que eu a tomasse e corresse para fora gritando e pedindo ajuda. Ele conseguiu segurar-me pela porta, mas só conseguiu pegar na ponta da lâmina, foi quando cortou sua mão, e saiu correndo deixando marcas de sangue pela escada.
Uma cena horrível, de terror que eu vivenciei como num filme. Mas real.
Eu estava sozinha, num pais distante, sem ninguém por mim. Mas Deus estava ali, e mais tarde eu tive a confirmação, quando encontrei o pingente da minha correntinha no chão, exatamente onde aconteceu o episódio, ela tinha a imagem do Cristo.
Acreditem leitor, aconteceu verdadeiramente
Bem, eu dei parte a polícia e finalmente, o tormento acabou.
Ele não podia mais se aproximar de mim, por uma ordem de restrição. Mesmo assim, passei muito tempo com medo.
Alguns anos mais tarde eu o vi, o reencontrei num parque. Eu estava com meu filho de dois anos, fruto do meu relacionamento com o uruguaio. Meu impulso foi fugir, mas ele me chamou e me disse: - por favor me perdoe. O passado ficou lá atrás, eu fiz muita bobagem, me arrependo muito e te peço perdão. Hoje estou casado e tenho Deus em minha vida, nada daquilo faz mais sentido. Senti que era verdadeiro e lhe dei a mão, mas curiosamente senti vontade de lhe fazer uma pergunta. – Naquela noite você pretendia só me assustar, ou realmente me matar?
Ao que ele respondeu:
Estávamos num país estranho, explorando novos horizontes, e buscando melhorar de vida, como todo imigrante que vai tentar a vida lá fora.
João era muito presente e atencioso, ajudou-me de várias maneiras, mas não escondeu o seu interesse por mim.
Eu, de minha parte não correspondia da mesma maneira, mas também, reconheço não o afastei da minha vida, porque gostava da pessoa dele e queria a sua companhia.
O problema é que algum tempo depois, conheci outra pessoa por quem me apaixonei perdidamente. Era um imigrante do uruguai, que também arriscou ter ido para América com o objetivo de ser alguém em terras americanas. Não quis ser desleal e contei a verdade para João, só não esperava que ele reagisse tão mal.
Infelizmente, ele se comportou pessimamente. Passou a humilhar-se de forma absurda e tentar me dissuadir de todas as formas possíveis. Não desistia e chegou a dizer que não ficaria sem mim, fosse como fosse.
Minha vida virou um ¨ inferno ¨. Já não tinha mais liberdade para nada. Quando chegava em casa, encontrava arranjo de flôres com declarações de amor na entrada da porta, deixava mensagens terroristas por telefone e se humilhava. Chegou a simular um suicídio e internar-se num hospital para me comover. Tudo articulado, planejado. Não aceitava perder, e percebi que tudo começava a se tornar obsessivo e perigoso.
Com o tempo, passou a me seguir e numa noite de inverno tomou uma atitude extrema. Ligou-me e me disse que precisava falar comigo, que seria a última vez, que queria se despedir de mim porque decidiu mudar-se de cidade.
Estava disposto a me deixar em paz.
Eu confiei nele e permiti que fosse a minha casa, pela última vez. Pensei que era melhor assim, terminar aquela estória em paz, como amigos, se possível.
Mas eu estava inocente demais, ele não tinha essas intenções.
Quando eu fechei a porta, aconteceu de imediato. Ele estava estranho, alterado, pegou uma faca da gaveta rapidamente e com os olhos vidrados e fora de si falava coisas sem sentido, como que; Deus o iria perdoar, porque conhecia suas razões. Era necessário... Estava louco, completamente fora de si.
Achei sinceramente, que a minha vida se acabaria ali. Senti-me perdida.
Meu único pensamento foi para Deus. Clamei e supliquei em silêncio. Estava trêmula, o coração descompassado, as pernas bambas...
Mas Deus, maravilhoso, não me abandonou. Surgiu uma idéia, uma possibilidade, talvez... abraçá-lo e lhe dizer que o queria, que estava disposta a nos dar uma chance, que ele parasse com essa loucura... Era uma tentativa, podia dar certo. Alguns segundos, a diferença entre viver e morrer. O silêncio. Mas eu não estava segura, ele podia voltar atrás.
Foi quando recuou e guardou a faca no bolso. Tempo suficiente para que eu a tomasse e corresse para fora gritando e pedindo ajuda. Ele conseguiu segurar-me pela porta, mas só conseguiu pegar na ponta da lâmina, foi quando cortou sua mão, e saiu correndo deixando marcas de sangue pela escada.
Uma cena horrível, de terror que eu vivenciei como num filme. Mas real.
Eu estava sozinha, num pais distante, sem ninguém por mim. Mas Deus estava ali, e mais tarde eu tive a confirmação, quando encontrei o pingente da minha correntinha no chão, exatamente onde aconteceu o episódio, ela tinha a imagem do Cristo.
Acreditem leitor, aconteceu verdadeiramente
Bem, eu dei parte a polícia e finalmente, o tormento acabou.
Ele não podia mais se aproximar de mim, por uma ordem de restrição. Mesmo assim, passei muito tempo com medo.
Alguns anos mais tarde eu o vi, o reencontrei num parque. Eu estava com meu filho de dois anos, fruto do meu relacionamento com o uruguaio. Meu impulso foi fugir, mas ele me chamou e me disse: - por favor me perdoe. O passado ficou lá atrás, eu fiz muita bobagem, me arrependo muito e te peço perdão. Hoje estou casado e tenho Deus em minha vida, nada daquilo faz mais sentido. Senti que era verdadeiro e lhe dei a mão, mas curiosamente senti vontade de lhe fazer uma pergunta. – Naquela noite você pretendia só me assustar, ou realmente me matar?
Ao que ele respondeu:
- Você não morreu porque Deus não permitiu. Com certeza ELE estava ali, ao seu lado. Agora me sinto em paz. Adeus.
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