Helena era uma amiga oriental que conheci na minha adolescência. Trabalhávamos na mesma empresa e nos identificávamos em muitas coisas...
Éramos jovens e bonitas. Como era natural em nossa idade, gostávamos de baladas e paqueras.
Saíamos juntas para paquerar muitas vezes. E não raras ocasiões, dormíamos na casa uma da outra. Helena tinha vigor e juventude. Era uma garota animada, disposta e alegre.
Curiosamente, um dia, fizemos uma brincadeira, Helena se interessou por um rapaz e resolveu fingir que era cega, disse que iria testar ¨seu poder de sedução¨. Pegou uns óculos escuros e passou por ele, fingiu um tropeção e esbarrou fortemente no rapaz. Ele gentilmente a socorreu e lhe pediu desculpas... Ela disse-lhe:
- não vê que não enxergo? Parece mais cego que eu!
Ele sorriu... e voltou a lhe pedir desculpas, inteligente e sagaz, ela disse que só aceitaria se lhe pagasse um sorvete, o que ele muito educadamente aceitou.
E pelo que soube, os dois namoraram por um bom tempo.
O tempo passou, ficamos adultas, eu comecei a namorar sério, mudei de endereço, e cada uma tomou rumos diferentes... Assim, nos afastamos.
Muitos anos depois, voltei a morar no mesmo bairro. Lembrei de Helena e resolvi visitá-la, saber como estava sua vida e buscar uma reaproximação.
A rua não mudou muito, porém o aspecto da casa me causou certo espanto.
Helena, pelo que lembrava-me, morava numa casa bonita e confortável e essa que eu via agora, tinha uma aparência abandonada e desleixada. Será que esta era a casa de Helena? Perguntei-me.
Pensei que poderia ser por condições econômicas e procurei não intimidar-me, o importante era ver minha amiga. Bati palmas e chamei por Helena.
Aguardei alguns minutos até que uma mulher estranha me abriu a porta.
Usava uma calça de moleton meia enrolada até as pernas e uma blusa de frio visivelmente um pouco grande para ela. Tinha os cabelos mal tratados e despenteados, usava uns óculos de lentes bem grossas e segurava-se nas paredes, perguntando quem eu era.
Procurei não me impressionar e perguntei por Helena, quando ela me disse que ELA era Helena. Meu Deus, não sabe o que senti. Abraçamo-nos e me dei conta que, Helena estava cega! Pior que isso, Helena no aspecto físico, era apenas um vestígio da menina linda e alegre que conheci. Bem, procurei me recompor e logo percebi que o seu psicológico estava bem, continuava corajosa e altiva. Disse-me que morava só, mesmo com as limitações da cegueira.
Contou-me sua vida, sua doença, e não chorou em nenhum momento, mantinha o mesmo sorriso, a mesma vitalidade. Disse-me que voltaria a enxergar e que estava indo para o Japão tentar uma cirurgia. Agora eu entendia, tinha muita esperança e se agarrava nisso para viver.
Perdera a mãe e o irmão, somente lhe restara uma tia que morava do outro lado da cidade e que uma vez por mês, vinha dar uma limpeza geral na casa, por pura obrigação. Não tinha muitos contatos.
Tirando os óculos, em tom de graça, perguntou-me se eu ainda a achava bonita, e eu sorri, com carinho, pensando; ainda tinha a sua vaidade. Mal sabia ela, que linda pessoa estava à minha frente!
Desejei-lhe muita sorte e sucesso no tratamento e fui embora, pensando com os meus botões o porque de tudo isso.
Quantos porquês não tem resposta, mas com certeza, o aprendizado está em compreender a fragilidade da vida, o quanto somos vulneráveis como seres-humanos, o quanto somos ignorantes na compreensão do ser, e o quanto nosso futuro é incerto.
Éramos jovens e bonitas. Como era natural em nossa idade, gostávamos de baladas e paqueras.
Saíamos juntas para paquerar muitas vezes. E não raras ocasiões, dormíamos na casa uma da outra. Helena tinha vigor e juventude. Era uma garota animada, disposta e alegre.
Curiosamente, um dia, fizemos uma brincadeira, Helena se interessou por um rapaz e resolveu fingir que era cega, disse que iria testar ¨seu poder de sedução¨. Pegou uns óculos escuros e passou por ele, fingiu um tropeção e esbarrou fortemente no rapaz. Ele gentilmente a socorreu e lhe pediu desculpas... Ela disse-lhe:
- não vê que não enxergo? Parece mais cego que eu!
Ele sorriu... e voltou a lhe pedir desculpas, inteligente e sagaz, ela disse que só aceitaria se lhe pagasse um sorvete, o que ele muito educadamente aceitou.
E pelo que soube, os dois namoraram por um bom tempo.
O tempo passou, ficamos adultas, eu comecei a namorar sério, mudei de endereço, e cada uma tomou rumos diferentes... Assim, nos afastamos.
Muitos anos depois, voltei a morar no mesmo bairro. Lembrei de Helena e resolvi visitá-la, saber como estava sua vida e buscar uma reaproximação.
A rua não mudou muito, porém o aspecto da casa me causou certo espanto.
Helena, pelo que lembrava-me, morava numa casa bonita e confortável e essa que eu via agora, tinha uma aparência abandonada e desleixada. Será que esta era a casa de Helena? Perguntei-me.
Pensei que poderia ser por condições econômicas e procurei não intimidar-me, o importante era ver minha amiga. Bati palmas e chamei por Helena.
Aguardei alguns minutos até que uma mulher estranha me abriu a porta.
Usava uma calça de moleton meia enrolada até as pernas e uma blusa de frio visivelmente um pouco grande para ela. Tinha os cabelos mal tratados e despenteados, usava uns óculos de lentes bem grossas e segurava-se nas paredes, perguntando quem eu era.
Procurei não me impressionar e perguntei por Helena, quando ela me disse que ELA era Helena. Meu Deus, não sabe o que senti. Abraçamo-nos e me dei conta que, Helena estava cega! Pior que isso, Helena no aspecto físico, era apenas um vestígio da menina linda e alegre que conheci. Bem, procurei me recompor e logo percebi que o seu psicológico estava bem, continuava corajosa e altiva. Disse-me que morava só, mesmo com as limitações da cegueira.
Contou-me sua vida, sua doença, e não chorou em nenhum momento, mantinha o mesmo sorriso, a mesma vitalidade. Disse-me que voltaria a enxergar e que estava indo para o Japão tentar uma cirurgia. Agora eu entendia, tinha muita esperança e se agarrava nisso para viver.
Perdera a mãe e o irmão, somente lhe restara uma tia que morava do outro lado da cidade e que uma vez por mês, vinha dar uma limpeza geral na casa, por pura obrigação. Não tinha muitos contatos.
Tirando os óculos, em tom de graça, perguntou-me se eu ainda a achava bonita, e eu sorri, com carinho, pensando; ainda tinha a sua vaidade. Mal sabia ela, que linda pessoa estava à minha frente!
Desejei-lhe muita sorte e sucesso no tratamento e fui embora, pensando com os meus botões o porque de tudo isso.
Quantos porquês não tem resposta, mas com certeza, o aprendizado está em compreender a fragilidade da vida, o quanto somos vulneráveis como seres-humanos, o quanto somos ignorantes na compreensão do ser, e o quanto nosso futuro é incerto.
Deus certamente tem um propósito. Ele tem todas as respostas.
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