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sexta-feira, 1 de julho de 2011

D.GENINHA - 32º episódio - ¨ camisola preta ¨

D. Geninha morava sozinha, mas curioso D. Geninha não se sentia só. Tinha uma casa agradável  arejada e limpa. Gostava de plantas e ocupava seu tempo cuidando-as e pintando seus quadros. Era uma excelente pintora anônima.
Não pintava profissionalmente, apenas gostava de ¨ brincar com as tintas¨, dizia.
Era uma senhora diabética, tomava insulina com freqüência, e vivia no posto de saúde.
Mas não  se aborrecia com nada. Estava sempre disposta a conversar e fazer um suco delicioso para agradar suas visitas.
Numa dessas visitas, contou-me do seu casamento, das  saudades que sentia do esposo, Sr. Décio, que partira há cinco  anos,  e foi nesse momento, pela primeira vez, que a vi chorar.
Contou-me que fora muito feliz.  Ele foi seu grande companheiro e amigo de todas as horas.  Nunca pudera ter filhos, mas nunca foi cobrada por isso, e também, segundo ela, nunca fizeram falta.  Eles tinham um ao outro e eram  suficientes.
Descreveu um fato curioso:
Um mês  antes dele morrer,  pediu a ela que comprasse uma camisola nova, mas detalhe; que fosse bem sensual e transparente.  D. Geninha disse que deu muita risada dessa estória e perguntou ao Sr. Décio  se a caduquice havia chegado. Não tinham mais idade para estas coisas, ele estava com 68 anos, ela com 64. Ainda mais que  ele andava doente... e pensou, ele só pode estar brincando.
Mas não estava. Na noite seguinte cobrou-lhe a tal da camisola e  ainda impôs uma condição: só dormiriam juntos se ela comprasse a camisola.
Bom D. Geninha acabou cedendo ao capricho do Sr. Décio e comprou uma linda camisola preta com uma leve transparência. Teve que admitir que a danada era bonita e lhe caía muito bem! Sentiu-se atraente novamente, e não via a hora de vesti-la para o marido.
Foi assim que D. Geninha teve a noite que considera a mais bonita  da sua vida.  Não sabe como, mas nessa noite havia champanhe  estrategicamente guardada  para este momento e o Sr. Decio estava com um apetite sexual que ela só conhecia dos tempos em que eles eram recém casados! Ela recorda quantas vezes  ele declarou seu amor por ela, nessa noite.
Fora tudo  perfeito e inesquecível.  Passaram a noite acordados e de manhãzinha ainda estava abraçadinhos  trocando carinho. Quando acordaram no dia seguinte já era por volta do meio dia, como dois adolescentes que cometera  uma arte. Mas foi o último momento íntimo que desfrutaram juntos.
Dali para frente a saúde dele só foi piorando,  cada vez mais. Até que ele foi internado, já em estado muito grave.  Era portador da doença de chagas  que  no último ano começara a se manifestar com mais intensidade. O seu coração não agüentou e ele partiu.
D. Geninha guarda a camisola com muito carinho. É para ela como uma jóia preciosa.







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