Arquivo do blog

quarta-feira, 6 de julho de 2011

MAÍRA - 47º episódio - ¨poder da palavra¨

Maíra era uma mulher de 32 anos, inteligente e sensível. Tinha muitas qualidades, porém um gênio difícil que alternava com picos de humor e agressividade. Era impulsiva e muito sensível. Por  conta desse temperamento, algumas vezes fazia bobagem o que trouxe  conseqüências para sua vida.
Um desses fatos, em particular eu relato para vocês, principalmente porque suponho que possa despertar uma grande reflexão sobre nossas atitudes.
Maíra era casada com Eduardo, um homem simpático e responsável, mas que, uma única vez, por  imaturidade andou ¨ ¨pisando na bola¨ .  Uma colega de trabalho,  fez aniversário e resolveram comemorar após o expediente.
Ocorreu  que entre sorrisos e cervejas, Eduardo a tirou para dançar. O clima contribuiu para que rolasse alguns beijos e sem qualquer envolvimento emocional  eles acabaram passando a noite juntos.  Não havia romance ou paixão de nenhum lado, apenas uma atitude irresponsável que resultou numa noite de sexo.
Eduardo após o efeito do álcool arrependeu-se de ter chegado a este ponto com a garota e chegou a pedir-lhe desculpas, e tudo ficou por aí. Ainda eram amigos.
Quando chegou em casa pela manhã, era de se esperar o clima que o aguardava. Eduardo achou melhor contar a verdade para Maíra, mas deixou claro para ela que tudo não passou de momentos sem importância, um pouco por conta da bebida e que estava muito  arrependido, que a amava sinceramente e que jamais voltaria a acontecer... Fora  louco, irresponsável e lhe pediu que o perdoasse.
Bem, a verdade é que Maíra não queria perder o marido, e que o motivo de Eduardo, da forma como  colocou, era digamos... aceitável. Ele fora honesto com ela, tinha que admitir.
Mas lá no fundo, nunca engoliu essa estória, e esse episódio, infelizmente,  deu origem a um comportamento de ciúme e preocupação para Maíra, assim que, quase sempre, jogava-lhe na cara sua traição. Não esquecia  o deslize do marido, o que, infelizmente, deu  lugar a uma situação de tortura para ambos. Mas  Eduardo entendia, sentia-se culpado e pensava que um dia tudo seria esquecido. Ele a amava, não queria perdê-la.
Eduardo nunca mais lhe deu motivo algum para desconfiança. Qualquer evento ou oportunidade que surgia, ele a convidava e fazia questão que ela estivesse ao seu lado. Se antes a tratava bem, agora a idolatrava. Trazia-lhe presentes e a paparicava.  Creio que, buscava compensar o seu ¨pecado¨ e fazer-se perdoar.
Algum tempo depois, Maíra engravidou e  tiveram um filho, um lindo e saudável bebê, que veio solidificar o casamento e completar a família. Eduardo estava muito feliz.
Tudo ia  relativamente bem, mas as crises de ciúme de Maíra continuavam, cada vez mais frequentes, agora  totalmente infundadas, Eduardo era gentil e correto.
E um  dia, num momento de crise, no calor de uma  discussão, como para vingar-se, disse uma frase absurda, impensada, inconseqüente e mentirosa, que mudaria para sempre o curso da suas vidas, quando falou:
_ Você se acha tão esperto, vá se olhar no espelho, e enxergar como esses enfeites ficam bem na sua testa, imbecil.
Meu Deus! O que tinha feito?... E agora?... Por que disse aquilo?...Era mentira!
Nunca havia feito nada!. Fora infantil, impulsiva...  Ela o amava, nunca o trairia, só queria ofendê-lo, magoá-lo!. Mas não tinha mais jeito, o efeito de suas palavras fora arrasador e definitivo.
Eduardo ficou paralisado por um tempo, mas não disse nada. A sua atitude  foi  pegar seus pertences e ir embora.  Maíra não pensou que ele iria até o fim, mas ele foi. Chegou a iludir-se, pensando que ele voltasse.
Mas ele nunca mais acreditou nela. Nunca mais voltou.
Maíra ficou sozinha, e  vai carregar para o resto da vida o peso da atitude impulsiva, por conta das  palavras mentirosas e proferidas sem pensar em sua consciência.

Bem leitor, creio que vale a pena refletir sobre a arma poderosa que portamos o tempo todo; a nossa voz, e reconhecer  como as palavras tem o poder de transformar e, as vezes até, o de decidir vidas.

Uma palavra lançada não pode nunca mais ser calada! Pense nisto.




Nenhum comentário:

Postar um comentário