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terça-feira, 5 de julho de 2011

ELISA - 46º episódio - ¨ relações doentias¨

Elisa era uma mulher cheia de encantos. Com uma estória de vida rica de experiências, entre amores, sucessos, vitória, decepções e desilusões, ela acumulava um grande potencial de emoções. 
Mineira de origem, veio com a família para São Paulo, ainda criança, com dois anos de idade, e aqui fez sua estória. Formou-se uma moça bonita e destacava-se por ter um jeito meigo e dengoso. Era feminina e inteligente.
Nunca teve uma vida confortável financeiramente, e começou a trabalhar cedo para ganhar o seu sustento. Mesmo assim, com as dificuldades sabidas de uma moça pobre, Elisa conseguiu chegar a um curso médio e tentar uma faculdade.
Não casou-se, mas sempre demonstrou uma conduta correta e nunca conheceu escândalos em sua vida.
 Mas, como a vida é surpreendente, aos 43 anos conheceu um homem, Marcelo, que mudaria sua estória para sempre. Ele era mais jovem que ela, sedutor e experiente com as mulheres.
Esse homem, (já premeditado na sua esperteza)  lhe revelou a sua vida:  ele tinha 4 filhos e era casado. Tinha um casamento sólido de 20 anos e filhos ainda pequenos, o motivo pelo qual ainda estava casado e lhe prendia a família.
Porém, esse homem  tinha habilidades incríveis no seu poder de sedução, e não deixou de ¨atacar ¨ até conseguir seu intento... Um dia presenteou-lhe com  um vinho, escrito no rótulo ¨ estou  louco por você ¨, escrevia belas mensagens e as deixava estrategicamente, telefonava  as 3:00hs da manhã para falar ¨ estou pensando em você ¨, ou lhe fazia surpresas adoráveis, como lhe dar uma calçinha autografada por ele...
Este era Marcelo, esperto, criativo, sedutor e fascinante! 
Elisa, a isca perfeita, carente, sozinha e ingênua de certa forma. O perfil que ele buscava.
Não demorou muito para Elisa assumir que estava apaixonada, totalmente perdida e louca de amor aos 43 anos de idade. O romance foi avassalador.
Elisa já não fugia mais, enfrentou as críticas e os comentários, e rompeu barreiras para estar com ele, mesmo sentindo-se moralmente errada, preferia viver este relacionamento.  Estava apaixonada, muito apaixonada e ele a fazia muito feliz.
Um dia, num domingo a tarde, foi assistir com uma amiga, um evento público, na paróquia do bairro. Decidiram comprar um sorvete e, aos risos, deparou-se com uma cena... para a qual não estava preparada. Sua expressão fechou na hora.
Marcelo estava lá,, acompanhando a mulher e os filhos, como um bom marido, presente e atencioso, participando do evento da Igreja. Era o  retrato de uma família feliz, estampado aos seus olhos... Uma esposa feliz, duas crianças agarradas às suas mãos...
Ah! Deus, era inacreditável! Bem,  só havia um caminho para sua consciência.
Quando ele chegou, a noite, preferiu não olhar para ele.
– Acabou. Disse, decidida e categórica.
Mas, dentro de si, sabia que o seu coração não a deixava proferir  as palavras com convicção, e tinha medo, porque lá no fundo  da alma, o seu coração lhe dizia: não,  ainda não acabou...
E como previra, ele a procurou, muitas vezes, insistentemente.
Por mais que a sua moral a condenasse, o seu coração e o seu corpo falaram mais alto. Não tinha mais forças para resistir e por fim concluiu:
- Estou morrendo,  não posso e não quero viver sem ele. Voltaram, e  viveu o amor mais louco e irracional  que o mundo já conheceu, desafiou e enfrentou todas as situações possíveis.
Era um  relacionamento cheio de sedução, mentiras, articulações e traições, mas que quando se encontravam e se amavam, para ela justificava tudo. Acreditava nele, sempre.
E assim, durou nove  meses, até que a mulher de Marcelo descobriu, e entrou em cena, assumindo e cobrando seus direitos de esposa. E aí, naturalmente, o teto desabou em cima dos três.
Nessa altura, caro leitor, pode prever o que aconteceu e por isso vou poupá-los de narrativas deprimentes e desnecessárias. Vou pular essa etapa de discussões e baixarias e tratarei de resumir o final dessa estória, porque nada mais tem de interessante.
Como não podia deixar de ser, o final não foi feliz para Elisa. Ela ficou sozinha, carregando consigo suas lembranças e desilusões.
Ele continua casado, e claro; enganando outras mulheres, e naturalmente;  com esse perfil psicopático, buscando novas  presas.

Em dado momento, eu pus-me a refletir  sobre este caso,  o que  levou-me a uma curiosa reflexão:  Cabe a nós julgarmos sobre a ética ou moral de uma pessoa, quando isso envolve a sua felicidade? Teríamos nós, uma firmeza de caráter e atitude tão grandes a ponto de resistir ao que queremos com tanto desejo e intensidade? Podemos condenar alguém que por si mesma e suas escolhas, já pagou tão alto preço?.
Penso que não, somos todos imperfeitos.










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