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segunda-feira, 11 de julho de 2011

MÁRCIA - 53º episódio - ¨ fatos em discussão¨

Conheci  Márcia em New Jersey, EUA, num tempo em que buscávamos um lugar ao sol, repletas de sonhos e ilusões.  Márcia era carioca de origem,  bonita, radiante, expressiva , cheia de vida e alegria.
Foi numa tarde de sol, num parque  ecológico ao norte de Elizabeth.
Passamos a conversar e saber mais uma da outra, e entre relatos e confissões, soube que ela era casada com Francisco no Brasil, tinha um filho de nove  anos que ficara  com o pai, e que tinha o firme propósito de buscá-los  depois.
Márcia não estava bem onde morava,  ela dormia no emprego e sentia-se sem liberdade para explorar outras coisas, sugeriu também que a patroa era uma pessoa difícil de conviver.
Por conta disso, acabei lhe fazendo um convite para dividir minha casa, uma vez que ambas estávamos no mesmo barco e tínhamos tantas afinidades.
Deixei-lhe um convite para uma visita.
Algum tempo depois Márcia passou a dividir o apartamento comigo e compartilhamos uma boa amizade.
Moramos uns oito meses juntas, quando  Márcia conheceu  Romão, um português  já radicado há muitos anos nos EUA e bem estabilizado financeiramente. Administrava uma cadeia de bares e restaurantes e Márcia passou a viver um mundo encantado, até então desconhecido para ela. Conheceu os melhores  hotéis cassinos,    o ¨glamour¨ da  noite em New York e belos presentes.  Romão lhe proporcionava uma vida de princesa.  Segundo Márcia,  nunca pensou em conhecer nada disso ou pretendeu viver uma história de amor; fora para a América realmente com o propósito de trabalhar, mas aconteceu... Estava apaixonada e completamente envolvida por outro homem; agora  precisava tomar uma decisão, havia uma situação indefinida no Brasil, seu marido e seu filho, sua família. Eles  estavam esperando por ela, todos os dias.  Eu sabia que era muito difícil para ela.
Quando decidiu morar com Romão,  travou um conflito muito grande com a sua consciência, mas procurei não me envolver, era sua vida.. Mentia e manipulava a situação,  até saber o que  fazer. Mas o que Márcia não esperava era o que viria  a acontecer.
Sem que ela soubesse, seu esposo conseguiu o visto de viagem e quis lhe fazer uma surpresa. Veio ao seu encontro.
Um belo dia, bateu à minha porta, sorridente e ansioso, perguntando pela mulher. Fiquei paralisada, sem saber o que dizer, consegui articular algumas palavras, algo assim: - Bem, ela não está em casa.  Ele me disse: - Bem, acho que posso esperar não? Algum problema?
Eu achei melhor lhe dizer que ela não estava mais morando comigo e que ia procurar o telefone dela para que ele a contatasse.  Só lhe pedi algum tempo até que eu encontrasse, e usei o argumento que já fazia algum tempo que Márcia havia mudado-se e que não sabia onde o  havia guardado.
Ele pareceu um pouco confuso com o que lhe dissera, porém, preferiu ser educado e se foi, deixando-me a direção  e o telefone do hotel onde estava hospedado. Não pude evitar o pensamento,  ¨pobre rapaz¨. 
Assim que, em seguida liguei para Márcia e lhe posicionei da situação. 
Ela ficou transtornada e me perguntava o que fazer. A única resposta que eu tive para ela, era que disse se a verdade. Era minha opinião, ele tinha o direito de saber  por ela. Assim, resolveria a situação de todos, inclusive a sua. Mas lhe pedi que pensasse com calma e agisse com cautela e equilíbrio para que não se magoassem tanto.
Ela resolveu seguir meu conselho e foi ao hotel. Contou-lhe toda a verdade chorando, e lhe disse que já não poderia mais ser sua mulher, que queria o divórcio, mas não queria perder sua amizade porque  o estimava muito, que não podia mais enganá-lo,  e finalmente, que queria trazer o seu filho, que ela tanto amava e sentia falta, se ele não colocasse impedimentos.
A reação dele foi imprevisível. Ficou sentado,  em silêncio,  chorando muito até que, finalmente e súbitamente,  deu-lhe um tapa no rosto, como expressando um desabafo de dor, e se foi, sem dizer uma palavra.
Seis meses depois, ele fez contato comigo. E deixou uma mensagem para Márcia. Estava disposto a lhe  conceder  o divórcio e a guarda do seu filho, sob algumas condições, que ela o procurasse.
Márcia pagou 20.000 dólares para ele, divorciou-se e conseguiu levar  o seu filho, tudo através de advogado. Hoje, ela mora em Union – New Jersey, tem uma boa condição financeira  e uma nova família.
Ele, Francisco, deu uma boa ¨virada¨ na sua vida financeira e mora no Rio de Janeiro, bairro
do Arpoador, e hoje em dia tem uma outra família também.
E quando penso nessa história,  ainda não consigo ter uma opinião formada sobre tudo.
Uma estória real, mas que lembra um  conto de fadas com algum tempêro,  ou um filme de romance com conteúdo dramático. Poderia-se concluir  que  ambos foram egoístas, mas também que demonstravam sentimentos profundos, e  que no final, ambos eram muito parecidos. Buscaram o que lhes convinham,  sem pudor ou medidas.

Discutível ou não, o fato é que o final resultou feliz para todos, felizmente.

Que direito temos de  julgar a conduta de cada um?
Só quem vive os seus problemas é que conhece as suas razões.







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