terça-feira, 24 de janeiro de 2012

MARCOS - 70º episódio - ¨ dinheiro não é tudo na vida ¨

Aos 45 anos ele tinha  a certeza de ter realizado muitas coisas. Desde cedo projetou para sua vida uma condição confortável quando chegasse aos 40 anos, e foi além das suas expectativas.
Vinha de uma família pequena, formada apenas por  dois irmãos, e  pela mãe,  pois perdera o pai muito cedo.
Cursou uma faculdade de administração de empresas e quando, aos 28 anos, abriu um negócio no segmento  de  transportes, sentia-se altamente capacitado para prosperar e realizar seus objetivos. A empresa lhe trouxe muita satisfação, mas  também muito trabalho.

Aos 32 anos sua mãe veio a falecer e Marcos  passou então a dedicar-se integralmente  à empresa e não havia mais nada que tivesse mais prioridade. Era hábil, talentoso e esforçado.
Aos 35 anos era um homem bem sucedido financeiramente, e quando resolveu casar-se com Noemi, uma namorada desde os tempos da faculdade e constituir família, sabia que estava pronto para  lhes oferecer o melhor.
O problema é que Marcos não conseguia separar o trabalho da vida pessoal. Estava tão absorvido com os compromissos e atividades  da empresa, que para não perder nenhum contrato lucrativo, abriu um escritório de trabalho  em sua casa e tornou-se então, um  ¨ marido ocupado ¨. Não tinha mais horário nem para almoçar, nem para dormir,  situação que começava a gerar conflitos com a esposa.
Marcos também viajava muito a negócios, e não poupava esforços para atender um cliente que procurasse a sua empresa, em qualquer  tempo.
Assim que, quando nasceu seu primeiro filho, Marcos não estava presente. Estava a milhas de distância da sua família...
Nem preciso entrar em detalhes da tristeza de Noemi, e das desavenças que fatalmente culminaram na separação do casal.
Quando Marcos entendeu que realmente acabara seu casamento, não conseguia enxergar culpa por isso, pois entendia que tudo fizera também pelo  bem  da família.
E dedicou-se mais ainda a empresa e aos negócios. Tornou-se um homem rico.  E pensou que; com dinheiro, que mais podia querer? Podia comprar tudo que quisesse,  e ter as mais lindas mulheres. O mundo estava aos seus pés.
E assim realmente aconteceu. Marcos passou a viver uma vida de viagens por toda parte do mundo e belas mulheres, sem  dar-se conta que só representava para a maioria delas, um cofre bem recheado de dinheiro, pois muitas delas nem sabiam verdadeiramente seu nome,  apenas sabiam da  empresa e  da sua  conta bancária.
O tempo passou, e após cinco anos de viver de de  ¨ glamour ¨, sentia-se estranhamente triste. Não conseguia entender o que se passava em seu íntimo, porque tinha tudo que o dinheiro pode comprar.
Um dia qualquer, sofreu um desmaio e foi socorrido  pela empregada. Foi hospitalizado imediatamente e deu-se como diagnóstico um AVC, segundo o médico, causado por stress e muito trabalho.  O pior é que o AVC lhe deixou com seqüelas graves.  Ficou praticamente paralisado de um lado do corpo, o que lhe impossibilitava para quase tudo e dependente até para comer.
Pela primeira vez, sentiu falta de alguém da família, para cuidá-lo. Apesar do enfermeiro, e dos empregados da casa, sentia-se só.   E pela primeira vez percebeu que o dinheiro  lhe daria tudo que quisesse, mas sempre comprado. Deu-se conta que todas as pessoas que estavam a sua volta foram pagas para isso, para servi-lo, apesar das gentilezas, era tudo por obrigação.
E lembrou-se de Noemi; com carinho, com saudade...
Deu-se conta que já fazia bastante tempo que nem mesmo o  filho,  ele via. Apenas cumpria a sua responsabilidade financeira, e mesmo assim, através de advogados. E o irmão, onde estaria? Depois da morte da mãe sabia apenas que ele havia ido para outro estado e perderam o contato. Mas ele  sabia que,  lá no fundo,  nunca se importara com isso.
Marcos então, finalmente entendeu que o dinheiro não é tudo na vida. Ele se sentia verdadeiramente pobre de carinho, de atenção, de amor, de família.
Chorou pela primeira vez.
As vezes a compreensão das coisas vem através dos momentos difíceis, e talvez Deus nos permita isso para nos darmos conta.  O sofrimento também ensina.


 



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