Era
mais um dia como outro qualquer. para Lucia. A sua rotina era tão previsível que mesmo de olhos
fechados, podia perfeitamente sentir
quando o ônibus chegava ao seu destino.
Quando
se posicionou para descer, jamais poderia imaginar o quanto o seu destino
mudaria dali a pouco...
A
tarde já começava a se despedir no horizonte, e o ar fresco de setembro lhe
dava uma sensação agradável. Talvez por
ser uma sexta feira e estar se sentindo tão bem, decidiu que passaria no shopping para
estender mais um pouco o seu dia. Ver coisas bonitas e perambular um pouco, lhe atiçava os
sentidos, e tomou outra direção.
Não
era tão longe, e pensou que poderia dispensar outro ônibus, estava tão animada
que a caminhada só lhe faria bem.
Conforme
imaginava, estava bem movimentado, muita gente alegre e bonita transitava pelos
corredores, e a praça de alimentação
estava cheia. Decidiu parar por ali e comer um lanche, aproveitaria para
descansar as pernas.
Estava
tão relaxada que não percebeu que um homem a olhava insistentemente, e só se
deu conta quando ele pediu a um funcionário, que lhe transmitisse um recado. Ele perguntava se poderia lhe
fazer companhia para comerem o lanche juntos.
Quando
os seus olhos se encontraram, Lucia o achou muito atraente de imediato, mas, cautelosa, teve o impulso de recusar a oferta, porém, inesperadamente, se viu dizendo: - sim, tudo
bem.
E
foi ali que se conheceram. Lucia estava um pouco ¨ressabiada¨
com os homens, seu ultimo relacionamento não dera nada certo, mas pensou que não haveria mal algum em fazer
uma nova amizade num lugar público.
Ele era muito bem humorado e lhe proporcionou momentos deliciosos. Terminaram o passeio juntos e marcaram um novo encontro.
Ele era muito bem humorado e lhe proporcionou momentos deliciosos. Terminaram o passeio juntos e marcaram um novo encontro.
Na
semana seguinte ela se viu preocupada com a demora do telefone tocar. Ele havia
se comprometido a ligar antes para confirmar.
Finalmente, com quase uma hora de atraso, o telefone tocou e ela percebeu que seu coração
involuntariamente começou a disparar.
Ele
confirmava o encontro e dali duas horas estaria a caminho.
Quando
ele chegou, ela sentiu que nunca mais seria a mesma. Rogerio era
encantador.
Como
da vez anterior tudo foi perfeito, ele foi bastante educado e somente no final
da noite trocaram um beijo. Um beijo
inesquecivel.
No
terceiro encontro Lucia percebeu que já estava apaixonada. Rogerio havia
conquistado definitivamente o seu coração.
Tiveram
outros encontros, e passeios, mas o relacionamento se mantinha sem intimidades. O fato de não ter
havido ainda o envolvimento sexual a fazia pensar que Rogério era realmente muito
especial, e que a respeitava como um cavalheiro. Certamente, esperava o tempo
certo para que tudo se consumasse e o
admirava ainda mais por isso.
Nesta
noite ele estava um pouco mais calado e sua expressão estava séria, um pouco
diferente do habitual, e sentiu que ele
queria lhe revelar alguma coisa.
Procurou
manter-se calma para não demonstrar a ansiedade que corria pelas veias e aguardou. Estava tensa, mas disfarçou muito bem.
Finalmente,
ele disse a única
coisa que ela jamais poderia imaginar, e que nunca gostaria de ter ouvido.
Ele
era casado, tinha uma familia, esposa e dois filhos adolescentes. Mas... estava apaixonado, muito apaixonado por ela. Naquele dia em que se conheceram, ele pensava apenas em conversar e ter uma companhia, tivera um dia cheio, exaustivo e da mesma maneira que ele, como ela se encontrava sozinha; achou que conversar amenidades, pudesse ser bom para ambos.
O mundo, em fração de segundos, desabou para Lucia. E agora?...
Abriria
mão da sua felicidade?
Sairia da vida dele para sempre?
Sairia da vida dele para sempre?
Pediria
a ele que se separasse?
Aceitaria a condição de ser ¨a outra¨?
As
perguntas, sem respostas; invadiam seus
pensamentos como uma tempestade, fazendo redemoinhos de idas e voltas. E por alguns
momentos, sentiu que as palavras ficavam presas na garganta... Estava muito perturbada internamente, mas, calmamente e inexplicavelmente, lhe disse;
-
Você não traiu sua mulher, somos amigos, e podemos nos despedir para sempre, se for o melhor. As cicatrizes não deixarão marcas. O seu caráter e moral falaram mais alto e lhe deram a resposta que no fundo ela já conhecia.
Ele
respondeu:
-
O melhor?... para quem? para mim? ou para você?
Ambos
ficaram se olhando, e Lucia não conseguiu mais segurar as lágrimas.
Pela
primeira vez demonstrou tudo que sentia por ele. A dor dilacerava seu coração.
E ambos se abraçaram, um abraço doloroso
que falava tudo que preferiam não dizer.
Neste momento, sentiram a intensidade do amor.
Neste momento, sentiram a intensidade do amor.
Ficaram
em silencio e fizeram amor nesta noite. Um
amor desejado todos estes dias, ansiosamente esperado por ambos, com um desejo louco e desenfreado que nunca haviam
sentido antes e que somente os verdadeiros apaixonados
conhecem.
Mas, ambos sabiam que este momento tão intenso de amor, não era a solidez do relacionamento de dois apaixonados, este momento, representava o fim; a despedida de um amor
proibido, e sem esperanças.
O
tempo passou, alguns meses depois ela ainda podia sentir seu perfume, e lutava todos os dias para esquecê-lo. Buscou ajuda, e orava, pedia a Deus que a ajudasse esquecer... Ele nunca mais a procurou
e isto também lhe dava forças, era mais fácil aceitar que tudo fora apenas momentos
e que ela não representara nada em sua vida. Lhe doia pensar que fora apenas uma aventura na vida dele, mas era
melhor assim. O tempo seria o seu remédio,
e ela procurava acreditar nisto para
continuar viva. Procurou voltar a sua rotina habitual e nunca mais foi aquele shopping.
Nove meses depois,
ela chegou em casa após o dia de trabalho, e como fazia todos os dias, recolheu toda a
correspondência da caixa do correio, mas,
neste dia, se deparou com um pequeno e curioso embrulho .
Abriu
com cuidado, sem saber do que se tratava, ou o que poderia conter.
Nele
havia uma pequena caixinha, que, curiosamente, continha duas alianças dentro. O seu coração
bateu mais forte e olhou para o que estava gravado em cada uma. Em uma delas, lia-se: Rogerio, e, na
outra: Lucia.
Havia também, uma msg pequenina, colada ao fundo que dizia: - Estou livre, quer se casar comigo?
Ele
a procurou logo depois. Havia se divorciado
amistosamente. A ex esposa
aceitou que ele já não a amava mais e
que ambos poderiam reconstruir suas vidas. Não houve conflitos.
Com
lágrimas nos olhos, Lucia só conhecia
uma resposta para lhe dar: SIM!
Penso que quando se ama, de verdade, não existem barreiras, sempre é possivel encontrar os caminhos.
Penso que quando se ama, de verdade, não existem barreiras, sempre é possivel encontrar os caminhos.
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