domingo, 6 de julho de 2014

Amor sem barreiras - 82º episódio

Era mais um dia como outro qualquer. para Lucia. A sua rotina  era tão previsível que mesmo de olhos fechados, podia perfeitamente  sentir quando o ônibus chegava  ao seu destino.
Quando se posicionou para descer, jamais poderia imaginar o quanto o seu destino mudaria dali a pouco...
A tarde já começava a se despedir no horizonte, e o ar fresco de setembro lhe dava uma sensação agradável.  Talvez por ser uma sexta feira  e  estar se sentindo tão bem,  decidiu que passaria no shopping para estender mais um pouco o seu dia. Ver coisas  bonitas  e perambular um pouco, lhe atiçava os sentidos, e tomou outra direção.
Não era tão longe, e pensou que poderia dispensar outro ônibus, estava tão animada que a caminhada só lhe faria bem.
Conforme imaginava, estava bem movimentado, muita gente alegre e bonita transitava pelos corredores,  e a praça de alimentação estava cheia. Decidiu parar por ali e comer um lanche, aproveitaria para descansar as pernas.
Estava tão relaxada que não percebeu que um homem a olhava insistentemente, e só se deu conta quando ele pediu a um funcionário, que lhe transmitisse um  recado. Ele  perguntava se poderia lhe fazer companhia para  comerem o lanche juntos.
Quando os seus olhos se encontraram, Lucia o achou muito atraente de imediato, mas, cautelosa,  teve o impulso de recusar a oferta, porém,  inesperadamente, se viu dizendo: - sim, tudo bem.
E foi ali que se conheceram. Lucia estava um pouco  ¨ressabiada¨  com os homens, seu ultimo relacionamento não dera nada certo,  mas pensou que não haveria mal algum em fazer uma nova  amizade num lugar público.
Ele era muito bem humorado e lhe proporcionou momentos deliciosos. Terminaram o passeio juntos e marcaram um novo encontro.
Na semana seguinte ela se viu preocupada com a demora do telefone tocar. Ele havia se comprometido a ligar antes para confirmar.
Finalmente, com quase  uma hora de atraso, o telefone tocou e ela percebeu que seu coração involuntariamente começou a disparar.
Ele confirmava o encontro e dali duas horas estaria a caminho.
Quando ele chegou, ela sentiu  que  nunca mais seria a mesma. Rogerio era encantador.
Como da vez anterior tudo foi perfeito, ele foi bastante educado e somente no final da noite trocaram um beijo.  Um beijo inesquecivel.
No terceiro encontro Lucia percebeu que já estava apaixonada. Rogerio havia conquistado definitivamente o seu coração.
Tiveram outros encontros, e passeios, mas o relacionamento  se mantinha sem intimidades. O fato de não ter havido ainda o envolvimento sexual a fazia pensar que Rogério era realmente muito especial, e que a respeitava como um cavalheiro. Certamente, esperava o tempo certo  para que tudo  se consumasse e o admirava ainda mais por isso.
Nesta noite ele estava um pouco mais calado e sua expressão estava séria, um pouco diferente do habitual, e sentiu que  ele queria lhe revelar alguma coisa.
Procurou manter-se calma para não demonstrar a ansiedade que corria pelas  veias e aguardou.  Estava tensa, mas disfarçou muito bem.
Finalmente,  ele disse  a  única coisa que ela jamais poderia imaginar,  e que nunca gostaria de ter ouvido.
Ele era casado,  tinha uma familia, esposa e dois filhos adolescentes. Mas...   estava apaixonado, muito apaixonado  por ela. Naquele dia em que se conheceram, ele pensava apenas em conversar e ter uma companhia, tivera um dia cheio, exaustivo e da mesma maneira que ele, como  ela se encontrava sozinha; achou que conversar amenidades, pudesse ser bom para ambos.
O mundo, em fração de segundos,  desabou para Lucia. E agora?...
Abriria mão da sua felicidade?
Sairia da vida dele para sempre?
Pediria a ele que se separasse?
Aceitaria a condição de ser ¨a outra¨?
As perguntas, sem respostas;  invadiam seus pensamentos como uma tempestade, fazendo redemoinhos de idas e voltas. E por alguns momentos, sentiu que as palavras ficavam presas na garganta... Estava muito perturbada internamente, mas, calmamente e inexplicavelmente, lhe disse;
- Você não traiu sua mulher, somos amigos, e podemos nos despedir para sempre,  se for o melhor. As cicatrizes não deixarão marcas. O seu caráter e moral falaram mais alto e lhe deram a resposta que no fundo ela já conhecia.
Ele respondeu:
- O melhor?... para quem? para mim? ou para você?
Ambos ficaram se olhando, e Lucia não conseguiu mais segurar as lágrimas.
Pela primeira vez demonstrou tudo que sentia por ele. A dor dilacerava seu coração. E ambos se abraçaram, um abraço doloroso  que falava tudo que preferiam não dizer.
Neste momento, sentiram a intensidade do amor.
Ficaram em silencio  e fizeram amor nesta noite. Um amor desejado todos estes dias, ansiosamente esperado por ambos, com  um desejo louco e desenfreado que nunca haviam sentido antes  e que somente  os verdadeiros apaixonados conhecem.
Mas, ambos sabiam que  este momento tão intenso de amor,  não era a solidez  do relacionamento de  dois apaixonados, este momento, representava o fim; a despedida de um amor proibido, e sem esperanças.
O tempo passou, alguns meses depois ela ainda podia sentir seu perfume, e  lutava todos os dias para esquecê-lo.  Buscou ajuda, e orava, pedia a Deus que a ajudasse esquecer... Ele nunca mais a  procurou e isto também lhe dava forças, era mais fácil aceitar que tudo fora apenas momentos e que ela não representara nada em sua vida. Lhe doia pensar que fora apenas uma aventura na vida dele,  mas era melhor assim.  O tempo seria o seu remédio, e ela procurava acreditar nisto para continuar viva. Procurou voltar  a sua rotina habitual e nunca mais foi aquele shopping. 
Nove  meses depois,  ela  chegou em casa após o dia de trabalho, e  como fazia todos os dias, recolheu toda a correspondência da caixa do correio, mas,  neste dia, se deparou com um pequeno  e curioso  embrulho .
Abriu com cuidado, sem saber do que se tratava, ou o que poderia conter.
Nele havia uma pequena caixinha, que, curiosamente,   continha duas alianças dentro. O seu coração bateu mais forte e olhou para o que estava gravado em cada uma. Em uma delas, lia-se:  Rogerio, e,  na outra:  Lucia.
Havia também, uma msg pequenina, colada ao fundo que dizia: - Estou livre, quer se casar comigo?

Ele a procurou logo depois. Havia se divorciado  amistosamente.  A ex esposa aceitou que ele  já não a amava mais e que ambos poderiam reconstruir suas vidas. Não houve conflitos.
Com lágrimas nos olhos, Lucia  só conhecia uma resposta para lhe dar:  SIM!

Penso  que  quando se ama, de verdade, não existem barreiras, sempre é possivel  encontrar os caminhos. 
.











Nenhum comentário:

Postar um comentário