sábado, 19 de julho de 2014

"Final Feliz" - 83º episódio

Muito tempo antes...
Eu estava com sono. Tinha passado um dia  cansativo, e já ia me deitar,quando o telefone tocou. Era Celina, uma amiga de muitos anos. Estava com um voz triste e senti que pretendia desabafar. Celina me perguntava se poderia vir para minha casa conversar um pouco.
Quase respondi que não, por conta do meu cansaço, mas,  por educação e amizade eu  disse que sim, e que  a estaria esperando. Fui lavar o rosto com água fria para espantar o cansaço e me senti melhor.  Afinal de contas, um amigo e mais importante que algumas horas a mais de sono.
Ela chegou com olhar abatido e logo percebi que algo grave acontecera em sua vida.
Eu a recebi com carinho,  e logo se pôs a chorar me abraçando em desespero.
Eu pedi que se acalmasse,  que o que quer que tivesse acontecido, sempre haveria uma solução, um caminho...
Celina era casada com luis felipe, há doze anos,  o casamento não ia bem das pernas já algum tempo,  mas  Celina lutava para manter esta união, amava o marido e  tinha esperanças de resgatar a felicidade de antes,  ela se martirizava, vislumbrando  uma solução que estava dificil de conseguir, pois não dependia dela.  Sentia que  Luis felipe ainda gostava dela, se davam bem, tinham afinidades e  interesses comuns, mas já não se sentia mais atraido sexualmente por ela, por mais que  se esforçasse  não conseguia fazer o marido desejá-la como antes.  A vida sexual do casal praticamente acabara, e por isso, ela sabia que ele mantinha romances fora de casa.
O problema é que agora um destes romances tivera consequência. Celina soube que Luis Felipe ia ser pai de um relacionamento com outra mulher.
O que mais lhe doia é que ela nunca pode ser mãe,  fizera vários  tratamentos  ao longo dos anos,  mas em nenhum obteve sucesso  e por isso  sentia-se  diminuida e infeliz por esta situação, achava até que não tinha o direito de lhe cobrar nada, pois o sonho dele sempre fora ser pai.
Era realmente uma situação difícil e constrangedora para ela.
Perguntei-lhe se sabia mais informações desse relacionamento de Luis felipe.
Era um caso realmente  sério? Eles tinham algum envolvimento emocional? 
Mas ela não sabia de  nada. Ficou tão desnorteada que não se preocupou com isso, em sua mente apenas remoía a dificil descoberta da gravidez da outra...
Fiquei pensativa, minha amiga precisava saber mais dessa história para tomar uma decisão.
Conversamos muito tempo e por fim ela entendeu que era melhor apurar os fatos primeiro, com maturidade e  cautela antes de decidir o que fazer.
Como eu pensava, não havia nenhum envolvimento sério. Luis Felipe tivera apenas alguns encontros  sexuais com uma  moça bemn mais jovem, e por descuido  ela ficara  grávida. Foi ele mesmo que contou para Celina o que aconteceu e  lhe disse que apesar de estar empolgado com o fato de se tornar pai, não estava apaixonado pela outra, e não pretendia separar-se dela, porém, ele sabia que não fora correto, e assim; respeitaria a sua decisão.
Celina me procurou novamente e me contou tudo isto, como se esperasse de mim  a resposta sobre o que fazer,  quando eu sabia que a resposta ela mesma  já tinha em seu coração. Não queria perder o marido e ira aceitar os fatos.
E foi exatamente o que eu lhe disse:
- A resposta está em seu coração. O que ele diz?...
Quando o bebê nasceu, Luis Felipe  o trouxe para que Celina o conhecesse. Era um garoto forte e bonito, tinha os traços do pai e desde aqueles primeiros momentos Celina pode perceber que seriam muito amigos. Luis Felipe era um pai apaixonado e com certeza seria muito dedicado ao filho.
Ela sentiu uma pontada de inveja e tristeza no coração, pois pensou que aquele bebê poderia ser dela e do marido, mas se conteve, e tratou de tirar estes pensamentos egoistas do coração e desejou que eles fossem muito felizes.
A mãe do bebê era bem jovem e inexperiente e casualmente passou a frequentar a casa de Celina, que, curiosamente, não sentia ciúmes dela. A garota era bonita, mas ainda infantil. Sabia que Luis felipe não a amava, e que fora apenas uma distração para ele,  e, assim,  com o passar dos meses, Celina se viu mimando e ajudando a cuidar daquela criança, plantando uma relação afetuosa entre todos.
Como era jovem e bonita,  a mãe do bebê  logo arranjou um namorado e o bebê passou a ficar mais tempo com o pai e Celina,  para alegria de ambos.
Aos dois anos de idade o bebê  só via a mãe nas visitas esporádicas  que ela fazia, e na realidade,  quem criava Pedro Augusto era Celina e Luis felipe, e  foi inevitável que ele a chamasse de mãe, na verdade ele chamava as duas de mãe, o que alegrava a todos.
Paralelamente a isso, Luis felipe voltou  a se interessar por Celina sexualmente, é como se o bebê  tivesse completado o que faltava nela como mulher.  Talvez a psicologia explicasse melhor esta condição.
Hoje em dia, Celina tem uma linda familia, que considera quase completa, e tudo o que aconteceu acredita ser os desígnios de Deus, para que ela também se realizasse como esposa e mãe.
E é com esta leitura  que ela prefere compreender e aceitar sua vida.

O que torna tudo mais leve e perfeito, e que eu concordo plenamente; pois  ela soube conduzir a sua história com serenidade e o mais importante; o resultado com um final feliz. 
Felicidades minha amiga!















domingo, 6 de julho de 2014

Amor sem barreiras - 82º episódio

Era mais um dia como outro qualquer. para Lucia. A sua rotina  era tão previsível que mesmo de olhos fechados, podia perfeitamente  sentir quando o ônibus chegava  ao seu destino.
Quando se posicionou para descer, jamais poderia imaginar o quanto o seu destino mudaria dali a pouco...
A tarde já começava a se despedir no horizonte, e o ar fresco de setembro lhe dava uma sensação agradável.  Talvez por ser uma sexta feira  e  estar se sentindo tão bem,  decidiu que passaria no shopping para estender mais um pouco o seu dia. Ver coisas  bonitas  e perambular um pouco, lhe atiçava os sentidos, e tomou outra direção.
Não era tão longe, e pensou que poderia dispensar outro ônibus, estava tão animada que a caminhada só lhe faria bem.
Conforme imaginava, estava bem movimentado, muita gente alegre e bonita transitava pelos corredores,  e a praça de alimentação estava cheia. Decidiu parar por ali e comer um lanche, aproveitaria para descansar as pernas.
Estava tão relaxada que não percebeu que um homem a olhava insistentemente, e só se deu conta quando ele pediu a um funcionário, que lhe transmitisse um  recado. Ele  perguntava se poderia lhe fazer companhia para  comerem o lanche juntos.
Quando os seus olhos se encontraram, Lucia o achou muito atraente de imediato, mas, cautelosa,  teve o impulso de recusar a oferta, porém,  inesperadamente, se viu dizendo: - sim, tudo bem.
E foi ali que se conheceram. Lucia estava um pouco  ¨ressabiada¨  com os homens, seu ultimo relacionamento não dera nada certo,  mas pensou que não haveria mal algum em fazer uma nova  amizade num lugar público.
Ele era muito bem humorado e lhe proporcionou momentos deliciosos. Terminaram o passeio juntos e marcaram um novo encontro.
Na semana seguinte ela se viu preocupada com a demora do telefone tocar. Ele havia se comprometido a ligar antes para confirmar.
Finalmente, com quase  uma hora de atraso, o telefone tocou e ela percebeu que seu coração involuntariamente começou a disparar.
Ele confirmava o encontro e dali duas horas estaria a caminho.
Quando ele chegou, ela sentiu  que  nunca mais seria a mesma. Rogerio era encantador.
Como da vez anterior tudo foi perfeito, ele foi bastante educado e somente no final da noite trocaram um beijo.  Um beijo inesquecivel.
No terceiro encontro Lucia percebeu que já estava apaixonada. Rogerio havia conquistado definitivamente o seu coração.
Tiveram outros encontros, e passeios, mas o relacionamento  se mantinha sem intimidades. O fato de não ter havido ainda o envolvimento sexual a fazia pensar que Rogério era realmente muito especial, e que a respeitava como um cavalheiro. Certamente, esperava o tempo certo  para que tudo  se consumasse e o admirava ainda mais por isso.
Nesta noite ele estava um pouco mais calado e sua expressão estava séria, um pouco diferente do habitual, e sentiu que  ele queria lhe revelar alguma coisa.
Procurou manter-se calma para não demonstrar a ansiedade que corria pelas  veias e aguardou.  Estava tensa, mas disfarçou muito bem.
Finalmente,  ele disse  a  única coisa que ela jamais poderia imaginar,  e que nunca gostaria de ter ouvido.
Ele era casado,  tinha uma familia, esposa e dois filhos adolescentes. Mas...   estava apaixonado, muito apaixonado  por ela. Naquele dia em que se conheceram, ele pensava apenas em conversar e ter uma companhia, tivera um dia cheio, exaustivo e da mesma maneira que ele, como  ela se encontrava sozinha; achou que conversar amenidades, pudesse ser bom para ambos.
O mundo, em fração de segundos,  desabou para Lucia. E agora?...
Abriria mão da sua felicidade?
Sairia da vida dele para sempre?
Pediria a ele que se separasse?
Aceitaria a condição de ser ¨a outra¨?
As perguntas, sem respostas;  invadiam seus pensamentos como uma tempestade, fazendo redemoinhos de idas e voltas. E por alguns momentos, sentiu que as palavras ficavam presas na garganta... Estava muito perturbada internamente, mas, calmamente e inexplicavelmente, lhe disse;
- Você não traiu sua mulher, somos amigos, e podemos nos despedir para sempre,  se for o melhor. As cicatrizes não deixarão marcas. O seu caráter e moral falaram mais alto e lhe deram a resposta que no fundo ela já conhecia.
Ele respondeu:
- O melhor?... para quem? para mim? ou para você?
Ambos ficaram se olhando, e Lucia não conseguiu mais segurar as lágrimas.
Pela primeira vez demonstrou tudo que sentia por ele. A dor dilacerava seu coração. E ambos se abraçaram, um abraço doloroso  que falava tudo que preferiam não dizer.
Neste momento, sentiram a intensidade do amor.
Ficaram em silencio  e fizeram amor nesta noite. Um amor desejado todos estes dias, ansiosamente esperado por ambos, com  um desejo louco e desenfreado que nunca haviam sentido antes  e que somente  os verdadeiros apaixonados conhecem.
Mas, ambos sabiam que  este momento tão intenso de amor,  não era a solidez  do relacionamento de  dois apaixonados, este momento, representava o fim; a despedida de um amor proibido, e sem esperanças.
O tempo passou, alguns meses depois ela ainda podia sentir seu perfume, e  lutava todos os dias para esquecê-lo.  Buscou ajuda, e orava, pedia a Deus que a ajudasse esquecer... Ele nunca mais a  procurou e isto também lhe dava forças, era mais fácil aceitar que tudo fora apenas momentos e que ela não representara nada em sua vida. Lhe doia pensar que fora apenas uma aventura na vida dele,  mas era melhor assim.  O tempo seria o seu remédio, e ela procurava acreditar nisto para continuar viva. Procurou voltar  a sua rotina habitual e nunca mais foi aquele shopping. 
Nove  meses depois,  ela  chegou em casa após o dia de trabalho, e  como fazia todos os dias, recolheu toda a correspondência da caixa do correio, mas,  neste dia, se deparou com um pequeno  e curioso  embrulho .
Abriu com cuidado, sem saber do que se tratava, ou o que poderia conter.
Nele havia uma pequena caixinha, que, curiosamente,   continha duas alianças dentro. O seu coração bateu mais forte e olhou para o que estava gravado em cada uma. Em uma delas, lia-se:  Rogerio, e,  na outra:  Lucia.
Havia também, uma msg pequenina, colada ao fundo que dizia: - Estou livre, quer se casar comigo?

Ele a procurou logo depois. Havia se divorciado  amistosamente.  A ex esposa aceitou que ele  já não a amava mais e que ambos poderiam reconstruir suas vidas. Não houve conflitos.
Com lágrimas nos olhos, Lucia  só conhecia uma resposta para lhe dar:  SIM!

Penso  que  quando se ama, de verdade, não existem barreiras, sempre é possivel  encontrar os caminhos. 
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sábado, 5 de julho de 2014

O peso da culpa - 81º episódio



Ele estava deitado no sofá,  os braços cruzados atrás do pescoço e o olhar distante, perdido em seus próprios pensamentos ... Tinha uma aparência  desleixada, como se fazer a barba ou pentear os cabelos  não tivesse mais a menor importância.
Quando levantou os olhos para me ver,  pude perceber uma tristeza lá no fundo, que parecia chegar até sua alma. Perguntei  por Marina, sua mulher, e ele respondeu quase num sussurro inaudível : - ela se foi, faleceu ha oito dias...
Marina era sua esposa e viveram juntos por mais de quinze anos, nos últimos dois anos ela começara a sentir fortes dores no estômago e fora constatado então o câncer no pâncreas.
Eu sabia que ela estava doente, fora internada algumas vezes, ma não imaginei que a doença a levaria tão cedo. Eles tiveram dois filhos, uma menina e um menino;   nessa altura já adolescentes, e sempre se  amaram muito, pelo que eu sabia. Por isso achei que Valmir estava sofrendo tanto, não era fácil perder a mulher da sua vida, mãe dos seus filhos.
O seu aspecto era tão triste que gostaria de ter algum dom divino naquele momento para amenizar a dor daquele homem, mas o máximo que consegui dizer foi: - sinto muito ...
Ele começou a chorar silenciosamente e me encarou por alguns minutos e com os olhos penetrantes disse:
- Eu a matei!
Tomei um grande susto e a princípio achei que Valmir estava transtornado e da sua boca saia aquelas palavras absurdas, sem sentido, mas ele voltou a repetir  a mesma frase diversas vezes.
Então, eu disse a ele que não se culpasse, Marina estava doente e a doença a venceu, infelizmente. Teria que aceitar essa realidade.
Mas Valmir parecia fora de si, e  quase que num desabafo desesperado e gritando, disse:
- Será que não entende? eu a matei!,  por isso ela se foi...  uma mulher ainda jovem, atraente, responsável, uma mãe dedicada ... por minha causa ela morreu!,  não entende?
Não, eu não entendia. O que aquele homem dizia era absurdo; ele se culpava o tempo todo pela morte da mulher, causada por uma doença fatal e injusta que rouba tantas vidas  todos os dias!
Por que ele se sentia tão atormentado?...
Eu resolvi lhe prepareir  um chá, quem sabe assim ele  conseguisse se recompor e se acalmar.
Mas logo  ele voltou a se encolher  no sofá e direcionar o olhar vago, sem expressão, para algum lugar indefinido, que somente os seus pensamentos enxergavam.
Resolvi ir embora, mas carreguei  aquele homem no pensamento por muitas horas, tentando compreender  o porquê das suas palavras, porém,  a única explicação que eu alcançava era que ele estava muito transtornado pela morte da esposa e a sua mente  provavelmente estivesse confusa.
Uma quinzena depois resolvi voltar a visitá-lo, apenas por atenção; queria saber se estava se sentindo melhor, mas para minha surpresa,  o quadro que encontrei não estava muito diferente do anterior. Valmir se encontrava no mesmo sofá, recostado, com o olhar perdido, apenas se percebia que havia tomado banho e usava uma camisa limpa. Tinha  obrigação com os filhos.
Perguntei se estava melhor. Ele então me respondeu com um gesto de cabeça,  sem a menor  disposição, como a dizer também, tanto faz...  melhor ou pior...
Senti,  com o coração apertado,que Valmir precisava de um apoio, um ombro amigo, alguém que o ajudasse a sair daquele estado depressivo, alguém que pudesse lhe resgatar o sorriso.
Perguntei se gostaria que eu fizesse o almoço para ele e os filhos, que deveriam estar na escola naquele momento. Ele não respondeu e se foi para o quarto.
Fui pra cozinha, mas antes dei uma arrumada na bagunça deixada pelos meninos, e logo; com a cozinha de aparência  mais agradável, passei a cozinhar.
O telefone tocou várias vezes, e percebi que Valmir não fez a menor  questão de vir  atender.  Achei que eu não tinha o direito de atender por não estar em minha casa, mas devido a insistência da pessoa, tomei a liberdade e peguei o telefone. Pensei que, talvez pudesse ser algo importante ou  referente aos seus filhos.
Mas não era... Era uma voz feminina, forte;  que não esperou para me ouvir e perceber que não era Valmir, e foi logo dizendo frases desconexas , sem o menor cuidado.  Olá querido; finalmente  atendeu o telefone!  o que está fazendo?  Por que não me ligou? Eu dei um tempo para te procurar por que não queria ser desagradável, mas, por que não fala comigo?. Valmir,  a sua mulher morreu  amor, mas nós estamos vivos!!  vivos!!!!  e o melhor de tudo.... estamos  livres!! alô, alô, alôooo!!!!...
Fiquei um pouco chocada, e não quis mais ficar ouvindo aquela mulher falar coisas absurdas, desliguei o telefone e fiquei um pouco perdida, concentrada em meus próprios pensamentos.
Agora entendia todos os conflitos internos de Valmir.
Valmir tinha um caso fora do casamento e provavelmente Marina soubera de tudo.
Se sentia muito culpado e acreditava que isso provocara a morte da esposa, ou pelo menos  a precipitara. Senti muita pena de Valmir, devia ser horrível conviver com aquela culpa, mas ainda achava que a morte de Marina fora causada pela doença, Marina estava doente há muito tempo e eu sabia disso. Claro que os fatos certamente a abalaram mais psicologicamente, mas  não foram a arma mortal que ceifou sua vida. Eu acreditava sinceramente nisso, e então resolvi  me ¨meter¨ no assunto e conversar com ele.
Ele contou-me a verdade dos fatos  e disse que sempre amou Marina, jamais pensou em deixá-la, estava vivendo uma aventura fora do casamento e buscava os meios para parar com isso. Não estava apaixonado pela outra, apenas teve um deslize como muitos homens.
Contou-me que só descobrira que  Marina soube da traição após sua morte, quando  encontrou  dentro da agenda dela, um bilhete escrito  e direcionado a uma amiga que dizia: - eu sei que ele me trai, mas apesar de estar em pedaços,  me falta tão pouco tempo, que prefiro fingir que não sei; eu amo meu marido e prefiro morrer sem conflitos e ficar na ilusão que meu marido ainda me ama. 
Palavras dolorosas e cortantes em sua consciência, comparadas a uma lâmina a atravessar seu peito todos os minutos. Eu entendi  o seu sofrimento e pensei que,  talvez, se Marina tivesse escancarado a verdade na cara dele, não teria lhe machucado tanto! 
Mas  não era o momento para pequenas vaidades femininas e o meu amigo precisava de  mim, era a hora para  um ombro amigo e então tive uma ideia.
Na  mesma semana, lhe fiz  um convite para dar uma volta  e espairecer um pouco. Como programei, fomos ao hospital do câncer, visitar  pessoas  doentes de câncer em estado avançado da doença , pessoas que referimos estar em  fase terminal. Conhecemos então pessoas  de todas as idades e perfis e também  mulheres  ainda jovens e bonitas que lembravam Marina, com histórias de vida bem diferentes, mas já sem esperanças pela medicina ... conversamos com médicos e psicólogos, e  Valmir saiu de lá com uma visão diferente. Entendeu que, no estágio em que se encontrava a doença de Marina, era inevitável sua morte.
Compreendeu que o seu  ¨deslize¨  não era o agente causador e bem menos  importante  no contexto,  pois foram felizes por muitos anos e ele a fizera sorrir milhões de vezes. A doença e sua consequente morte, fora uma fatalidade, e não poderia esquecer que quando descobriu a traição, Marina  já estava doente.
Saímos de lá tristes por presenciar uma realidade tão dificil, mas Valmir  sentia-se mais aliviado, e sabia que a partir daí  a sua consciência já não lhe cobraria  tanto.   

Suas feições demonstravam mais resignação,  uma expressão mais tranquila, e fiquei muito feliz quando ao nos despedir-mos  disse:
- Obrigado, vou tentar, superar... recomeçar... 
Tenho meus filhos, e agora eu sei  tenho uma amiga maravilhosa! Vida nova!