sábado, 3 de dezembro de 2011

ADILSON - 65º episódio - ¨ O preço da leviandade ¨


Ele era tímido e sensível.  Trabalhava como professor  em uma escola pública e tinha paixão pela profissão.  Aos 47 anos com um belo físico, ainda atraia muitos olhares e sonhos românticos femininos.
Adilson Tinha uma filha adolescente e demonstrava ser um pai carinhoso.
O problema de Adilson é que  não conseguia manter um relacionamento sólido com ninguém.
A sua timidez não impedia que tivesse um caráter mulherengo e dizia-se  um enamorado das mulheres , motivo porque não conseguia ser fiel a nenhuma.
Viveu com Rafaela, a mãe de sua filha por oito anos, mas perdeu a conta do número de vezes em que a enganou com outras, por isto  sentia-se   culpado e  preferiu separar-se. Rafaela, porém, estava sempre por perto, cuidando-o e deixando a sensação que nunca o deixaria de verdade.
Um dia qualquer,  durante o intervalo de aulas, senti que ele estava pensativo, com algum problema e precisava conversar com alguém.
Aproximei-me amigavelmente.
Contou-me sobre Mariana, uma jovem de  vinte e um  anos que estava grávida dele. Estava preocupado, e arrependido, porque para ele fora  somente alguns encontros casuais, sem envolvimento emocional, que teve como conseqüência uma gravidez.
A menina estava radiante e fazia planos para o futuro deles, mas Adilson sabia que não seria assim. Ele não poderia oferecer o que não tinha. Estava esperando a criança nascer para abrir-se com a verdade.
Havia também Elizabeth, uma colega de trabalho com quem mantinha um caso há mais de dois anos.  Era uma relação aberta, sem compromisso, porém, ele sabia que Elizabeth vivia para ele e alimentava esperanças de um relacionamento mais sério, o que ele não considerava sob nenhuma condição.
E o mais complicado de tudo para ele, havia Julia, uma moça de trinta anos, que havia conhecido recentemente e por quem  acreditava estar apaixonado.
Julia era bonita e sensível, uma mulher que ele gostaria de ter a seu lado e desfrutar sua vida.
Porém Julia era muito crítica com relação aos homens e lhe contara que jamais aceitaria um homem com uma vida promíscua ou vulgar.
Ele estava encurralado. Não poderia contar-lhe a verdade, porque Júlia certamente não iria entender a sua situação.  Preferiu omitir a verdade e naquele exato momento, estava ali, preocupado,  pensando como administrar tudo isso.
O ano letivo terminou e  venceu meu contrato, razão porque fiquei um longo tempo sem ver Adilson.
Três anos depois nos encontramos,  num outro momento de minha vida e lhe perguntei como estavam as coisas.
Ele me disse, curiosamente,  que  estava muito só.
Não conseguira acertar sua situação com Júlia, pois ela descobrira sobre Mariana e não quis saber mais dele. Elizabeth conheceu outro homem que a assumiu de fato e casou-se. Mariana teve uma filha e conheceu um jovem da sua idade, com o qual se relacionava atualmente e Rafaela também já não demonstrava mais nenhum interesse por ele.  Ele percebeu que perdera muito com a sua conduta leviana e sofreu muito por isso, conheceu um sentimento que pensava  ser eternamente desconhecido para ele:  depressão.
Disse que morava sozinho  e estava meio recluso. Chegou a conclusão que homens levianos, não conhecem a felicidade plena, apenas momentos.
Somente agora, deu-se conta do tanto que perdera  nesta vida de aventuras, pois não constituíra família, nem alicerce, nem raízes, nem possibilidades com ninguém. Só tinha feito besteiras.
Não valia a pena ter tantas mulheres e sentir-se tão só e tão perdido.
Vivera uma vida de mentiras e enganos. Sentia-se péssimo e se pudesse, escreveria uma nova história para sua vida ...
Infelizmente, eu não podia fazer muito pelo meu amigo, a não ser ouvir seus conflitos e concordar com ele.
Sempre pagamos o preço.








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