sábado, 4 de janeiro de 2020

" 96 episódio " - FÉ E SUPERAÇÃO


O nome dele é Roni.
Sua estória parece mesmo um filme de cinema,  mas é um filme da vida real. Com um enredo forte de superação e fé, vamos viajar numa estória de vida com muito sofrimento, mas também com muita fé.

Roni tina 30 anos, estava casado há seis anos e já formava sua família com um bebê de 4 anos. Estava no auge da juventude e vivendo as primeiras glórias de um bom emprego como representante de uma linha conceituada de perfumes importados. Por hora ainda estava trabalhando como associado autônomo, prestando serviços, mas tinha um bom salário e ajuda de custo, e como desempenhava muito bem seu trabalho e dava bom retorno de vendas para a empresa, estava para ser efetivado com um salário três vezes maior, o que certamente iria lhe garantir uma situação bem mais cômoda. Roni era muito focado no trabalho porque valorizava muito bens materiais e conforto.. 
Sentia-se feliz.
Ele usava como meio de transporte sua própria moto, o que lhe poupava tempo e economia.
Aí aconteceu a tragédia. Um dia qualquer, na ida para o trabalho, perdeu o controle da moto e se chocou violentamente contra um poste. Neste momento a vida lhe sentenciava com uma mudança de 90º. O cérebro processa tudo muito rápido: hospital, traumatismo, UTI, e o diagnóstico infinitamente desesperador: 70% de paraplegia. Seria um cadeirante, cheio de sequelas. Um quadro triste que limitaria seus movimentos por tempo indeterminado, talvez pelo resto da vida.
A sua vida virou do avesso. O seu mundo era outro agora, sua rotina era hospital, remédios, fisioterapias e muita dor. Muito desconforto, seu coração estava muito triste...
E agora? Morrer ou reagir mesmo tendo que enfrentar a vida assim? 
Mas ainda que os dias e as noites se arrastassem como sombras pesadas de sofrimento, desânimo e incertezas, ele  tinha um corpo jovem e forte,  uma fé enorme em seu coração, e principalmente sua família. Ingredientes fortes para não desistir da vida e continuar a batalha.  
8 meses depois a sua mulher foi embora, não aguentou as dificuldades e deixou o filho com o pai. Mesmo com tristeza Roni entendeu seu ponto de vista. Não era uma mulher forte e  não estava fácil para ela. Nem todo mundo é capaz de suportar  o peso de cuidar de um doente todos os dias.
Traçou mentalmente um panorama da sua vida.
Agora ele estava sem emprego, recebendo uma ajuda do governo de um salário mínimo (não tinha vínculos com a empresa), paraplégico com várias limitações e com um filho pequeno para criar.
Foi morar com a mãe. Sentia-se impotente, desconfortável na casa da mãe idosa, não queria dar este trabalho a ela, mas não tinha escolha, ele e  o filho precisavam de ajuda. Sabia que era a única forma de lutar para sair daquela situação. E acreditava que um dia a pudesse recompensar por tudo. Tinha fé.
E foi a luta. 
Fisioterapias. Nada muito de qualidade, porque dependia do serviço público. Mas se esforçou ao máximo, além disso dependia de pessoas para levá-lo. Sabia que  situação era humilhante, sentia seu coração apertado, lembrava da sua vida um ano trás e, escondido em seu quarto onde dormia com o filho, chorava sozinho e em silêncio  para que a mãe e o filho não ouvissem. Queria poupá-los da sua dor. Foram tempos muito difíceis.
Um dia conheceu Marina, era a nova fisioterapeuta, que iria substituir férias da titular. Desde o início sentiu-se muito bem com ela, a achava linda, encantadora. Mas óbvio que não podia ter ilusões com nenhuma mulher e manteve-se discreto e tímido. Seu lugar era o de paciente e não podia esquecer-se disso, mesmo que percebesse que Marina lhe dava uma atenção especial, conversava muito com ele, pensava que era apenas uma moça educada, que encontrara afinidades com seu jeito de ser. Além disso, ela tinha uma aliança de compromisso no dedo direito  e isso era esclarecedor.
Mas, por incrível que possa parecer, um dia, Marina tomou a iniciativa e sorrindo  he disse: – “Roni, sonhei com você esta noite. Sonhei que éramos namorados e caminhávamos de mãos dadas”. Aquela confissão lhe desarmou e sentiu-se acanhado, constrangido, mas ela continuou. – “Eu sou serva de Deus e Ele sempre me revela os fatos. Você vai voltar a andar". E ainda sorrindo levemente, ela completou: - E seremos namorados”. Ele demorou para perceber o quanto Marina falava sério, meio com alguma dúvida pensou que ela só poderia estar brincando.
Mas ela não estava. Marina continuou cuidando dele e lhe deu um ânimo absurdo. Ela o levou a sua igreja e passaram a ficar mais vezes juntos. Roni voltou a sorrir e tinha  muito mais força de vontade para lutar. Se antes ele queria voltar a ter os movimentos, agora era vital para ele.  Não sabia explicar muito bem porque, mas sabia que Marina tinha era elemento chave em sua vida.
As sessões eram árduas e dolorosas. Alternava entre dia sim, dia não, e voltava sempre muito cansado para casa.  Mas o resultado de todo o esforço começou a aparecer. Três meses depois ele já conseguia se levantar com a ajuda de muletas, seis meses depois já conseguia mover os braços, comer sozinho, e pegar algumas coisas...
Um ano depois ele já tinha forças para  caminhar com andador e se locomover.
Nossa! Quanta coisa aconteceu! Tudo fora muito triste e sofrido, mas foi por conta disso tudo que conheceu Marina e também a sua fé. Agora era um novo homem. Os bens materiais não eram mais somente  a sua meta na vida, tinha outros valores importantes, antes já adormecidos.
Por conta dessa dedicação a Roni, Marina rompeu com o noivo, mas ela não sentiu pesar por isso. Roni preenchia sua vida e ela sabia que a razão era porque estava apaixonada, tinha que admitir porque na verdade sempre esteve, desde que o conheceu. Então certamente era um propósito de Deus.
Finalmente assumiram o amor dos dois. Foram  morar juntos e tiveram uma filha. Roni conseguiu voltar a trabalhar parcialmente no que fazia, adequando as suas condições. 
Juntos, com  muito amor e parceria, compraram um apartamento e um carro adaptado, automático, porque Roni ainda tem limitações físicas na perna esquerda. Hoje leva uma vida praticamente normal e acha justo contribuir com uma ajuda mensal para a mãe que o ajudou tanto num momento difícil.
O casal mora com os dois filhos e são muito felizes.
Agora para completar a felicidade de ambos, só estão aguardando o divórcio legal de Roni para legalizarem a união.

São as tramas da vida que sugerem os desígnios de Deus. 
A vida de Roni só tem duas palavras para definir. FÉ E  SUPERAÇÃO.

Parabéns querido!. Você merece todas as bênçãos de Deus.