Meire era uma mulher
bonita. Tinhas os traços suaves e o corpo bem feito, poderia ser uma pessoa feliz, mas carregava muitos tormentos dentro de si, o que fazia de si mesma uma pessoa difícil, infeliz.
Tinha um
relacionamento há quatro anos com Osvaldo, um homem tranqüilo, centrado, e totalmente voltado para o trabalho e para a família. Meire
se dizia muito apaixonada, ou melhor, tinha um amor doentio por ele, e
justificava as suas atitudes absurdas com esse argumento, o amor.
Com o tempo as
discussões eram freqüentes, e Osvaldo praticamente já não tinha mais vida social, tudo para Meire, era motivo
de briga.
Ele não podia mais
conversar com os amigos homens, porque ela dizia que estavam falando de mulher.
Também não podia mais conversar com ninguém do sexo feminino, porque ela achava que ele estava se insinuando para as elas.
Chegou a criar situações embaraçosas por conta disso. Em uma ocasião um casal
de amigos dos tempos de solteiros, vieram visitá-los, e
Osvaldo, unicamente por
educação e cavalheirismo, ofereceu um refresco primeiramente para a esposa do amigo, foi motivo suficiente para
Meire achar que ele estava interessado na moça e o clima ficou muito ruim.
Numa outra vez, naqueles
dias que tudo acontece, fora fazer uma visita a mãe dela, e o carro quebrou na
estrada, e para ajudar ele esquecera o celular em casa. Era
necessário que ele pedisse
ajuda, e deu sinal para um carro que vinha na mão contrária. Quando o motorista parou, percebeu que era uma moça bem jovem
ao volante, na verdade era quase uma menina, que foi muito solícita e ofereceu
o celular para ele, pedir algum socorro. Meire que aguardava e observava de
dentro do carro, interpretou tudo errado e saiu do carro imediatamente
avançando contra a menina, lhe tomando o celular e criando uma cena
lamentável, totalmente sem razão
de ser.
E assim, estes
conflitos foram virando rotina.
Nos últimos meses,
ela começou a ir buscá-lo na saída do trabalho, todos os dias, e como, ela mesma dizia, à demarcar seu território,
mas a verdade é que ela passara a controlar os passos do marido.
Ele começou a se
sentir sufocado e os conflitos passaram a ser constantes.
Osvaldo realmente
gostava de Meire, mas não suportava mais suas crises.
A vida do casal virou um inferno, o lar deles já não tinha mais paz. Chegou a lhe pedir que ela procurasse
ajuda profissional, mas ela se recusava, achava que era normal ter ciúmes do
marido, e que apenas estava
cuidando do que era seu, não conseguia perceber que estava provocando o fim do
relacionamento, e o stresse que tomava conta de ambos.
Meire estava
doente.... Mas não doente como ela acreditava, por amor, na
verdade, estava tomada por uma
psicose , um sentimento de posse egoísta, insensato, que somente iria destruir
seu casamento. E assim aconteceu.
Depois de tantas
brigas e sofrimento, Osvaldo pediu a separação. Meire chorou, se descabelou,
disse que ele não poderia deixá-la, mas nada adiantou. Osvaldo realmente havia
chegado ao limite da paciência. Era um homem correto, não merecia viver assim,
arrumou suas malas e saiu de casa, mas ainda teve a atenção de lhe dizer que
quando ela se acalmasse, ele mandaria notícias.
Os dias para Meire
foram lentos e vazios, a dor era dilacerante. Tinha esperanças que ele
voltasse, e pensava que,
se isso não acontecesse, iria procurá-lo, lhe pedir perdão,
dizer-lhe que iria mudar, ser uma nova
mulher, e tinha certeza que reconstruiriam suas vidas.
Mas não foi tão fácil
assim, Osvaldo não deixou rastros. Mudou-se para outra cidade e não deixou
endereço.
Oito meses depois,
ela recebeu um telefonema, era Osvaldo, ele dizia que estava voltando. Ela
quase morreu de felicidade, e finalmente, achou que ali retomava seu casamento.
Mas quando ele
chegou, ela percebeu que ele não trazia nada, nem uma mala de viagem, apenas lhe dava as boas vindas, e dizia que precisavam conversar.
Quando ele entrou e
sentou-se no sofá da sala com
cerimônia, ela percebeu que algo estava errado, Osvaldo não estava natural,
como se aquela não fosse a casa dele.
Ele disse com
suavidade e cuidado:
- Quero o divórcio.
Meire estremeceu, as
pernas bambearam, o coração pulsou descompassado.
Não podia ser
verdade, estava perdendo definitivamente o homem da sua vida.
Nãaaaao! Não iria aceitar. Jogou se para ele,
abraçou-o forte, com
desespero. Pediu uma
chance para eles, pediu perdão pela conduta do passado.
Ele a ouvia, triste,
prostado, em silêncio.
Até que, finalmente,
lhe disse:
- Sinto muito Meire, acabou. O passado não
volta.
Ela ficou
desesperada, gritou então que não lhe daria o divórcio por nada neste mundo!
Ele não discutiu,
simplesmente virou as costas e se foi.
O processo foi
litigioso, longo, desgastante e difícil, mas ela quis assim, não havia outro
jeito.
Oito anos depois,
Osvaldo se tornara uma sombra no passado, e Meire conheceu outra pessoa.
Voltava a se envolver
com alguém, e estava muito feliz, ma só agora percebia que era uma
felicidade diferente, sem cobranças, sem controle, sem peso. Vivia um amor sem amarras, sem brigas, e curiosamente, estavam cada vez mais juntos. Aprendera muito com o passado. Osvaldo lhe dera uma grande lição
de vida quando a deixou. Ninguém é dono de ninguém, e nada neste mundo prende
uma pessoa se ela não quiser, e, principalmente, aprendeu que:
“o amor também é liberdade” .
Agora estava madura e
pronta para ser feliz.
A vida nos dá muitas
lições,
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