sábado, 13 de agosto de 2016

91º episódio - "O amor também é liberdade"


Meire era uma mulher bonita. Tinhas os traços suaves e o corpo bem feito,  poderia ser uma pessoa feliz, mas  carregava muitos tormentos dentro de si,  o que fazia de si mesma uma pessoa difícil, infeliz.
Tinha um relacionamento há quatro anos com Osvaldo,  um homem tranqüilo,  centrado, e totalmente voltado para o trabalho e para a família. Meire se dizia muito apaixonada, ou melhor, tinha um amor doentio por ele, e justificava as suas atitudes absurdas com esse argumento, o amor.
Com o tempo as discussões eram freqüentes, e Osvaldo  praticamente já não tinha mais vida social, tudo para Meire, era motivo de briga.
Ele não podia mais conversar com os amigos homens, porque ela dizia que estavam falando de mulher. Também não podia mais conversar  com ninguém  do sexo feminino,  porque ela achava que ele estava se insinuando para as elas. Chegou a criar situações embaraçosas por conta disso. Em uma ocasião um casal de amigos dos tempos de solteiros,  vieram  visitá-los, e Osvaldo,  unicamente por educação e cavalheirismo, ofereceu um refresco  primeiramente para a esposa do amigo, foi motivo suficiente para Meire achar que ele estava interessado na moça e o clima ficou muito ruim.
Numa outra vez, naqueles dias que tudo acontece, fora fazer uma visita a mãe dela, e o carro quebrou na estrada,  e para ajudar ele esquecera o celular em casa. Era necessário que  ele pedisse ajuda, e deu sinal para um carro que vinha na mão contrária. Quando  o motorista parou, percebeu que era  uma moça bem jovem ao volante, na verdade era quase uma menina, que foi muito solícita e ofereceu o celular para ele, pedir algum socorro. Meire que aguardava e observava de dentro do carro, interpretou tudo errado e saiu do carro imediatamente avançando contra a menina, lhe tomando o celular e criando uma cena lamentável,  totalmente sem razão de ser.
E assim, estes conflitos foram virando rotina.
Nos últimos meses, ela começou a ir buscá-lo na saída do trabalho,  todos os dias, e como, ela mesma dizia, à demarcar seu território, mas a verdade é que ela passara a controlar os passos do marido.
Ele começou a se sentir sufocado e os conflitos passaram a ser constantes.
Osvaldo realmente gostava de Meire, mas não suportava mais suas crises.
A vida do casal  virou um  inferno,  o lar deles já não tinha mais paz. Chegou a lhe pedir que ela procurasse ajuda profissional, mas ela se recusava, achava que era normal ter ciúmes do marido,  e que apenas estava cuidando do que era seu, não conseguia perceber que estava provocando o fim do relacionamento, e o stresse que tomava conta de ambos.
Meire estava doente.... Mas não doente como ela acreditava, por amor, na verdade,  estava  tomada por uma psicose , um sentimento de posse egoísta, insensato, que somente iria destruir seu casamento. E assim aconteceu.
Depois de tantas brigas e sofrimento, Osvaldo pediu a separação. Meire chorou, se descabelou, disse que ele não poderia deixá-la, mas nada adiantou. Osvaldo realmente havia chegado ao limite da paciência. Era um homem correto, não merecia viver assim, arrumou suas malas e saiu de casa, mas ainda teve a atenção de lhe dizer que quando ela se acalmasse, ele mandaria notícias.
Os dias para Meire foram lentos e vazios, a dor era dilacerante. Tinha esperanças que ele voltasse,  e pensava que, se isso não acontecesse,  iria procurá-lo, lhe  pedir perdão, dizer-lhe que iria mudar,  ser uma nova mulher, e tinha certeza que reconstruiriam suas vidas.
Mas não foi tão fácil assim, Osvaldo não deixou rastros. Mudou-se para outra cidade e não deixou endereço.
Oito meses depois, ela recebeu um telefonema, era Osvaldo, ele dizia que estava voltando. Ela quase morreu de felicidade, e finalmente, achou que ali retomava seu casamento.
Mas quando ele chegou, ela percebeu que ele não trazia nada, nem uma mala de viagem, apenas  lhe dava as boas vindas, e dizia que precisavam conversar.
Quando ele entrou e sentou-se  no sofá da sala com cerimônia, ela percebeu que algo estava errado, Osvaldo não estava natural, como se aquela não fosse a casa dele.
Ele disse com suavidade e  cuidado:
- Quero o divórcio.
Meire estremeceu, as pernas bambearam, o coração pulsou descompassado.
Não podia ser verdade, estava perdendo definitivamente o homem da sua vida.
Nãaaaao!  Não iria aceitar.  Jogou se para ele, abraçou-o  forte, com desespero.  Pediu uma chance para eles, pediu perdão pela conduta do passado.
Ele a ouvia, triste, prostado, em silêncio.
Até que, finalmente,  lhe disse:
- Sinto muito Meire,  acabou.  O passado não volta.
Ela ficou desesperada, gritou então que não lhe daria o divórcio por nada neste mundo!
Ele não discutiu, simplesmente virou as costas e se foi.
O processo foi litigioso, longo, desgastante e difícil, mas ela quis assim, não havia outro jeito.
Oito anos depois, Osvaldo se tornara uma sombra no passado, e Meire conheceu outra pessoa.
Voltava a se envolver com alguém, e estava muito feliz,  ma só agora percebia  que era uma felicidade diferente, sem cobranças, sem controle, sem  peso. Vivia um amor sem amarras, sem brigas,  e curiosamente, estavam cada vez mais juntos.  Aprendera muito com o passado. Osvaldo lhe dera uma grande lição de vida quando a deixou. Ninguém é dono de ninguém, e nada neste mundo prende uma pessoa se ela não quiser,  e,  principalmente,  aprendeu que: “o amor também é liberdade” .
Agora estava madura e pronta para ser feliz. 
A vida nos dá muitas lições,










sábado, 30 de julho de 2016

90º episódio - Tempestades passam


Ela estava pensativa. Tinha um olhar distante e  era visível que estava com algum problema.
Puxei conversa para aliviar a tensão, talvez para encorajá-la a conversar, mas ela se manteve evasiva.
Não éramos exatamente amigas, trabalhávamos no mesmo local, mas já nos conhecíamos há algum tempo e sempre me pareceu uma mulher alegre, cheia de otimismo, assim que estranhei um pouco a sua introspecção. Achei melhor não insistir e respeitar  o seu silêncio.
Mas ela ficou em meu pensamento...
Já bem mais tarde, quando cheguei em  casa,  o telefone tocou, era Ana, me perguntando se estava me incomodando... pois  queria conversar um pouco.
Eu lhe disse para ficar a vontade, e brincando, lhe disse que sempre sonhei em ser psicóloga, rsrs
Ela me contou que não era feliz. Sempre passou essa imagem para as pessoas, mas era uma forma de sobreviver também... Estava  com quase cinquenta anos e nunca se casara.
Havia tido alguns relacionamentos errados e infrutíferos, e passou toda a vida esperando encontrar a pessoa certa.  Parece que tínhamos a mesma história e comecei a rir da situação.
Achei melhor marcar um encontro para conversarmos.
Quando chegou à minha casa, percebi que ela estava pronta para desabafar a sua vida, e precisava de alguém para ouvi-la...
Falou da  infância, dos tempos de adolescente, dos relacionamentos, dos sonhos perdidos pela vida, e, finalmente,  da depressão que estava tomando conta de si.
Enquanto ela falava, eu pensava o quanto tínhamos histórias em comum, com uma diferença importante, Ana não conseguira ter um filho.
Quando tocou neste assunto, seus olhos marejaram, era um fator muito difícil para ela. Sempre acalentara o sonho da maternidade, e não queria terminar seus dias sozinha neste mundo. Na verdade, naquele momento, não consegui achar as palavras certas, e achei  melhor me manter na condição de ouvinte.
Quando terminou, pediu desculpas por me ocupar, e me trazer seus conflitos, e a minha reação  foi abraçá-la forte e lhe dizer que a minha casa e o meu coração estavam abertos  sempre que  ela precisasse.
Ana foi embora, mas eu senti que estava um pouco aliviada por conversar.
Acho que quarta vez que nos falamos, decidimos sair para comer uma pizza juntas,  e percebi que ela estava mais leve, porém, trazia nos olhos o mesmo semblante triste.
Eu lhe perguntei se nunca considerara adotar uma criança, mas ela disse que nessa altura tinha medo de assumir essa responsabilidade, o tempo havia passado rápido.
Eu lhe disse que nada acontece por acaso, e que  o tempo e´ imaginário,  ninguém tem garantia de nada nesta vida, e que a vida, talvez, ainda lhe brindasse muitas coisas; mas, lá no íntimo, também dizia isso para mim mesma.
Durante todo o tempo percebi um  homem olhando para nós com insistência, até que ele se aproximou e perguntou se poderia sentar conosco. Pronto, a amizade com Valdir começava ali, e, confesso que, induzi  a situação para Ana, porque percebi que ambos tinham mais afinidades, e realmente não me despertou nenhum interesse, somente como amigo.
Alguns dias depois Ana me ligou, e, para minha alegria, soube que estavam se relacionando. Mas o melhor de tudo é que Valdir era  viúvo há quatro anos, e tinha um filho de oito anos, que precisava muito de atenção e carinho... fora muito difícil para ele ficar sem a mãe.

Fiquei pensando como a vida é surpreendente.  E como tudo muda em questão de segundos.
Nada é eterno,  nem mesmo as tristezas que visitam nossos corações. Tudo passa, TEMPESTADES PASSAM....
Deus sabe a hora certa de mudar a nossa história.  Pensei em mim mesma e sorri...
Ana me fizera muito bem, mesmo sem saber.
Felicidades Ana.