Miro estava sentado em posição de concha, como buscando fugir do seu próprio mundo e de si mesmo. Em seus pensamentos as recordações martelavam o cérebro. Pensava em Marina, uma mulher apaixonante e sedutora que havia conhecido a um ano atrás. Gostava da sua voz, do toque macio das suas mãos, do beijo ardente e provocante, dos encontros furtivos e incansáveis, e do carinho desmedido que ela lhe ofertava carinhosamente uma vez por semana.
Mas havia Cássia, uma linda mulher, sua mulher, sua companheira, mãe dos seus filhos, a quem ele achava que amava , estava certo disso, e vivia um relacionamento de nove anos, num casamento consolidado em bens e interesses comuns, mas Cássia tinha uma personalidade forte, um perfil nada romântico, quase distante, materialista e dominadora.
E para lhe afligir, entre as duas, havia principalmente o seu próprio egoísmo em querer manter as duas mulheres, isso lhe dava prazer, um prazer insano e absurdo.
Conscientemente sabia que estava errado. Marina estava apaixonada, queria mais atenção e tempo para estar com ele, queria que ele a cuidasse, lhe desse carinho e entrasse de vez em sua vida, mas ele fugia disso como um covarde, sempre com escusas e desviando o foco da relação apenas para o lado sexual. Ele sabia que ela se submetia porque o amava, era melhor estar com ele assim, do que perde-lo completamente, como ele a deixava entender sutilmente. Nunca lhe disse uma palavra de afeto, que pudesse subtender algum envolvimento emocional. Tratava-a com vulgaridade. Tudo sempre fielmente calculado, para ela entender que a relação deles era superficial.
Mas Marina sofria... Estava no limite. Decidiu por um ponto final e valorizar-se. Marcos não esperava que terminasse assim, tão definitivo. Ela cansou da sua indiferença, cansou de ser apenas um instrumento de prazer em suas horas vagas e deu um basta, decidiu cortar todos os contatos com ele e sair da sua vida. Lá no fundo ele a entendia. Era uma grande mulher, não merecia ser apenas " a outra ", mas era egoísta, não queria perde-la.
Uma mês sem falar com ela, sem ouvir sua voz, sem sentir seu beijo, sem tocar seu corpo...
Sua cabeça fervia, seu sangue calor ava pelo corpo pelo desejo de estar com ela, mas não tinha como procurá-la. Era o fim. Tinha que ter essa dignidade com ela, já que nada poderia lhe oferecer além do sexo. E saiu pra rua sem destino...
Tinha que ver pessoas, conversar, desligar os pensamentos, quem sabe se sentisse melhor.
Tinha que ver pessoas, conversar, desligar os pensamentos, quem sabe se sentisse melhor.
Ficou com a esposa, procurou ser mais atencioso com ela, e decidiu leva-la para viajar, era uma forma de fugir dos pensamentos pela outra e tentar consertar sua vida. Ficaram duas semanas fora e quando voltou achou que estava melhor, quase curado.
Seis meses depois, concluiu que tomara a decisão certa. Marina se tornara uma linda lembrança do passado, e apesar de ainda sentir saudades, não pretendia procurá-la.
Uma tarde, chegou em casa mais cedo do trabalho, chamou por Cássia repetidas vezes, mas ela não estava, ele viu então o celular em cima da cama que ela havia esquecido. Não tinha o hábito de invadir a privacidade da esposa, mas instintivamente olhou e uma mensagem chamou sua atenção, um homem marcara um encontro com ela, naquela tarde, exatamente duas horas atrás. Ficou louco, desnorteado, sem saber o que fazer, onde ela estaria naquele exato momento, e com quem?
Uma tarde, chegou em casa mais cedo do trabalho, chamou por Cássia repetidas vezes, mas ela não estava, ele viu então o celular em cima da cama que ela havia esquecido. Não tinha o hábito de invadir a privacidade da esposa, mas instintivamente olhou e uma mensagem chamou sua atenção, um homem marcara um encontro com ela, naquela tarde, exatamente duas horas atrás. Ficou louco, desnorteado, sem saber o que fazer, onde ela estaria naquele exato momento, e com quem?
Decidiu se acalmar e esperar por ela, deveria haver alguma explicação. Mas quando a viu, deu-se conta da verdade, Cássia o estava traindo, descaradamente. Não conseguiu disfarçar as mentiras. Ele resolveu ficar em silêncio, absorver melhor tudo isso, e decidiu sair pra rua, esfriar a cabeça, refletir, e assim tomou uma decisão. Como poderia julgá-la? Não tinha esse direito...
Iria se separar, quem sabe o destino lhe reservasse tudo isso para mostrar um caminho, um caminho esquecido e abandonado lá atrás.... Marina.
Mas a vida lhe reservava outra surpresa, Marina já não estava disponível.
Havia conhecido outra pessoa e estava refazendo sua vida. Um homem livre que lhe oferecia segurança e respeito.
Havia conhecido outra pessoa e estava refazendo sua vida. Um homem livre que lhe oferecia segurança e respeito.
Sentiu um aperto no coração. Perdera as duas mulheres da sua vida...
Foi para o quarto de um hotel, prostrado, infeliz, e se encolheu como uma concha tentando fugir de si mesmo e dos seus próprios erros e culpas.
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