¨A outra¨
Ele era encantador. Aos 45 anos fazia qualquer mulher
perder o juizo. Com Márcia não foi diferente.
Trabalhavam juntos e a sedução foi imediata. Passavam
todas as tardes juntas e a relação foi ficando cada vez mais envolvente.
Em nenhum momento ele escondeu sua condição civil. Era um
homem bem casado, com uma bela mulher e filhos para completar a familia feliz.
Quando entrou neste jogo, Márcia sabia todos os riscos de ganhar ou
perder, mas, principalmente, sabia que tinha poucas chances de tê-lo só pra si.
Mesmo assim, levada pelas emoções decidiu arriscar, só não contava que iria apaixonar-se perdidamente por ele e que a ¨ brincadeira¨ se tornaria perigosa...
Como toda relação com um homem casado, é possível
controlar suas carências por algum tempo, mas depois as cobranças são
inevitáveis.
Márcia passou a
sentir cada vez mais a falta dele, e por conta disso, não tinha como evitar os
ciúmes pela esposa e a insatisfação de ser a outra, a amante.
Começou a exigir mais sua presença e por qualquer motivo
via-se ligando pra ele. Lá no fundo sabia que não devia fazer isso, eles já
tinham conversado sobre, mas não conseguia evitar, tinha urgência em vê-lo,
ouvir sua voz, sentir que ele estava em sua vida.
Sempre que possível, se encontravam, e estes momentos eram,
para ela, como tocar o céu. Era muito feliz com ele, mas quando ele ia embora, sorrateiro e furtivo,
sentia-se solitária e vazia. E, por muitas vezes, se pegou sufocando as
lágrimas teimosas que teimavam cair em seu rosto. Por diversas vezes também
decidiu acabar a relação, mas infelizmente, nunca conseguia dizer não, a vontade de estar com ele era mais forte que a
sua dignidade de mulher, e se condenava muito por isto.
Oito meses depois, estava cada vez mais metida neste
romance inconsequente. Ele mantinha a mesma postura de sempre, era um homem
casado e não podia lhe oferecer mais do que ¨momentos felizes¨. Ela, por outro
lado, estava cada vez mais consciente da sua reles condição de amante temporária,
porque sabia que quando se deixassem,
certamente, ele arranjaria outra. Percebeu que estava sofrendo, e que tinha que terminar essa relação.
Passou a fazer terapia, buscando ajuda, tentando
encontrar os caminhos para se fortalecer e sair dessa situação. Precisava
resgatar sua dignidade e valorizar-se, agora sabia que tudo era um grande erro. Não nascera para ser somente a distração de um homem casado. Estrategicamente mudou de emprego e procurou
apegar-se em outras coisas.
Fazia quinze dias que não atendia suas ligações, estava decidida a acabar o relacionamento e seguindo
as orientações da psicóloga, não podia ter nenhum contato com ele, nem
telefone, nem mensagens, nada... Quando
o telefone tocava, sentia seu coração disparar, mas estava realmente decidida e
não atendia as chamadas. Estava totalmente segura que não voltaria mais para ele.
Um dia, porém, não pode deixar de atender o telefone porque estava aguardando uma
ligação sobre um assunto importante, e pelo
horário, deduziu que não podia ser ele. Era uma voz de mulher, agressiva, objetiva e insensata.
- Então você é a vagabunda que anda com meu marido?
Suas pernas amoleceram, ficou algum tempo absorvendo
aquelas palavras horríveis, e buscando forças no fundo da alma, até que decidiu lhe
responder:
- O que você quer?
- Quero acabar com você, sua vadia!
Márcia respirou fundo e achou melhor não se intimidar. Não
ia ser covarde e deixar que ela a ofendesse assim, já estava sofrendo o bastante,
e depois, essa história, para ela, já tinha acabado. Já estava pagando caro por seu
erro. Não ia se rebaixar mais.
- Moça, você não me conhece, não tem o direito de falar
assim comigo, posso te processar por isso. E quer saber? devia procurar
resolver as suas frustações com seu marido, e não comigo, porque pelo que ouvi
ele é um grande safado que está te traindo. Agora vai cuidar da sua vida que já
tenho problemas demais.
Márcia desligou o telefone e tirou do gancho. Sabia que
ela voltaria a ligar e queria esquecer essa história.
Algum tempo depois, as coisas se acalmaram, o telefone
não tocou mais e apesar da tristeza que invadia seu coração, Marcia seguia sua
vida, pensou que o tempo a ajudaria esquecer esse homem.
Num dia qualquer, estava trabalhando quando anunciaram
que uma pessoa queria falar com ela.
Estava tão tranquila que pensou ser algo relacionado a trabalho e saiu
com um sorriso estampado no rosto, pronta para cumprimentar quem quer que
fosse.
Era uma mulher de cabelos longos e loiros, com uma aparência
elegante e bonita, porém, com os olhos fumegantes de ódio. Não a conhecia, mas imediatamente descobriu quem era.
Sentiu-se mal, e deu-se conta que a sua história ainda não tinha terminado, ao contrário, seguia o roteiro para um filme de terror.
Foi imediato o tapa que recebeu na cara, e isso lhe doeu
muito mais na alma do que no rosto. A mulher entrou em crise e perdeu a
compostura, mostrou-se muito vulgar, começou a gritar e cuspir palavrões horríveis em sua direção como
se ela fosse uma qualquer. Partiu pra cima dela, lhe puxava os cabelos, a
roupa, lhe arranhava o pescoço, lhe agredia sem piedade. O segurança foi
chamado e conteve a situação, antes que ela a matasse. Esse final deixou muitas
sequelas para Márcia, não somente a agressão física, o seu psicológico ficou em pedaços. Isso tudo afetou seu trabalho e sua vida.
Márcia entrou com um processo na justiça, e ganhou a
causa, pois conseguiu provar que já não tinha mais nada com a pessoa e esteve
sob constrangimento, causando-lhe danos morais irreparáveis. De certo modo,
essa vitória aliviou um pouco sua auto estima, entretanto, lá no fundo,
sabia que fora culpada por ter
aceito esse relacionamento, e disposta a correr todos os riscos.
Dois anos depois, descobriu que ele tinha uma nova amante
e sentiu nojo de si mesma, por ter um dia amado um homem tão cafajeste.
Mas, por outro lado, essa história lhe serviu para compreender que
relações desse tipo, geralmente terminam assim, nnunca tem nada de positivo para ¨a
outra¨, elas sempre sofrem, e acabam num
papel humilhante e secundário. Eles (os homens cafajestes) serão sempre
cafajestes e nunca deixarão suas esposas. E estas, por sua vez, serão sempre as damas de honra, mesmo que sejam
muito mais podres que as outras.
Com tudo isso, a vida lhe ensinou a esperar o homem
certo. Aquele homem capaz de lhe dedicar toda a sua vida, capaz de preencher
todos os espaços vazios.
E da última vez que falamos, parece que ele está por aí.
Felicidades amiga, você realmente merece!
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