domingo, 29 de setembro de 2013

NOVA CHANCE - 79º episódio

Ele estava bastante compenetrado no trabalho. Vestia um blazer preto de boa textura e uma camisa branca de listas num tom suave azul, que compunham um traje bem elegante. Seu nome era Pedro Luiz e tinha 45 anos de idade completos exatamente neste dia. Por duas vezes olhou para seu lindo relógio de pulso, um rolex italiano, como para certificar-se de que ainda tinha tempo para terminar suas tarefas. Sabia que os companheiros e amigos de trabalho iriam lhe preparar alguma surpresa de comemoração, e para garantir-se, iria deixar tudo em ordem para a próxima semana, afinal era uma sexta - feira, o ultimo dia de trabalho da semana. As 16:50 hs achou que, finalmente, estava liberado das suas obrigações, e como gerente administrativo da área financeira tinha muitas responsabilidades e era importante deixar todos os compromissos em ordem. Levantou-se da cadeira e se preparou para sair, pensou então que nada aconteceria e que as pessoas tinham se limitado a dar-lhe os parabéns somente... Mas de verdade não se importava; concluiu que as pessoas estavam sempre ocupadas e ninguém estava mais para perder tempo com comemorações. Mas enganou-se...  Quando acabou de sair do prédio, já no estacionamento, deparou-se com uma linda homenagem. Havia três carros enfileirados atrás do dele, com um laço vermelho no espelho lateral de cada um e um monte de pessoas em volta, batendo palmas. Alguém lhe abriu a porta do seu próprio carro no banco de passageiros e todos seguiram para uma churrascaria belíssima nos arredores da cidade. Foi um dia esplêndido e um aniversário inesquecível. Sentiu-se muito grato pela atenção dos amigos e registrou para sempre aqueles momentos na memória. Sentia-se feliz, era um homem saudável, tinha um porte afeiçoado e um bom emprego que lhe permitia uma vida confortável. Estava separado há pouco mais de dois anos, mas mantinha um bom relacionamento com a ex e sempre que podia estava com a filha, uma garota de dezesseis anos, que era seu encanto; Achava que um dia encontraria a mulher certa, alguém que lhe permitiria um novo amor, uma nova história, mas enquanto isso não acontecia, procurava apenas se divertir. Na semana seguinte a rotina era a mesma, trabalho, responsabilidades e horários. Na quarta feira, pela manhã, recebeu uma visita na empresa. Caterine era uma mulher bonita, estava vestida com trajes elegantes e seu perfume era absurdamente maravilhoso ... Viera fazer uma reclamação de negócios e quis falar com o gerente. A atração foi imediata e naquele momento Pedro percebeu, sentia-se deliciosamente encantado e ... perdido! Conversaram por quase duas horas e no final, um acordo inteligente prevalecera e ambos se deram por satisfeitos. O convite foi inevitável. Perguntou a Caterine se aceitava almoçar com ele, ao que ela recusou educadamente, mas disse que aceitaria com muito prazer num outro dia qualquer, para total decepção de Pedro, que entendeu que suas palavras foram proferidas apenas por educação ... Mas como por encanto, quando ela abriu a porta para sair , olhou para trás, e com um lindo sorriso lhe disse, - você tem meu telefone... Um mês depois estavam saindo com frequência, tinham um entendimento perfeito, combinavam em quase tudo e já não podiam ficar um dia sequer sem falar um com o outro. Casaram-se seis meses depois. O tempo passou rápido e a união do casal se fortalecia cada vez mais. Pedro achava Caterine um pouco fútil, mas gostava dela e pensava que isso não era tão grave assim. Mas, por outro lado, a situação na empresa começava a preocupar, os negócios deram uma caída violenta e a empresa já não andava tão bem das pernas. A situação se complicou, e dois anos depois a empresa entrou em falência. Saiu de lá sem receber um centavo. Depois de doze anos de um emprego sólido e bem remunerado, Pedro se via desempregado e sem perspectivas... teria que começar de novo, aos 48 anos de idade. Mas tentou se motivar, não entrar em desespero e pensou que, com as economias que tinha guardado daria para se aguentar por algum tempo e Caterine sempre poderia reduzir suas despesas com cabelereiro, academia e aulas de relaxamento que não eram prioridade, pelo menos por algum tempo, até se recuperar, sim, era possível. Ainda tinham dois carros na garagem e um bom dinheiro no banco. A casa em que morava com Caterine não podia considerar porque era alugada, e a outra, que era sua própria, estava com sua ex mulher e filha. O tempo passou e alguns meses depois, soube que a empresa havia aberto novamente as portas. Tentou resgatar seu emprego outra vez, mas lhe disseram que era outra direção e que reestruturaram tudo, não havia mais lugar para ele. Sentiu-se arrasado e decidiu então entrar com um processo trabalhista na justiça, meio sem esperanças, mas era só o que podia fazer. Como ele ainda se encontrava desempregado, decidiram então por vender um dos carros e abrir um escritório de contabilidade. Pedro era contador e Caterine tinha feito dois anos de administração na faculdade, poderia dar certo. Iriam trabalhar por conta e tentar se reerguerem novamente, era um risco, mas tinha que encarar e tentar. pensou que era melhor e mais inteligente investir o dinheiro que ainda tinha, antes que perdesse tudo. Mas as suas expectativas não se concretizaram, infelizmente... O aluguel de um escritório num bom local era caro, ele não atuava no ramo, lhe faltava experiência, levaria um bom tempo até conseguir que os clientes confiassem em seu trabalho, as despesas eram altas e Caterine era boa de conversa no salão de beleza, mas na prática... não correspondia, era imatura, não tinha vocação para negócios e nem responsabilidade suficientes para isso. O investimento lhe custou caro, perdeu muito dinheiro e três anos depois estava cheio de dívidas e totalmente desanimado. A crise econômica começou a afetar o relacionamento do casal e a vida pessoal começou também a declinar... Começaram a discutir e era raro o dia que não brigavam. Fatalmente veio a separação. Caterine era ¨dondoca¨ demais para aceitar uma vida de economias e dificuldades. Estava acostumada ao luxo e a satisfazer suas vontades. Foi cruel e egoista, disse-lhe na cara que encontraria um homem rico que lhe daria tudo que estava acostumada a ter. Estava sozinho novamente, mas dessa vez era diferente, não tinha mais dinheiro, e apenas lhe restava o carro e as contas para pagar. Um dia passando por uma rua, avistou uma Igreja de portas abertas, lhe deu vontade de entrar, fazer uma oração... sentia-se desanimado e triste. E assim fez, sentia-se melhor quando chegou em casa, e prometeu a si mesmo que voltaria sempre, fechou os olhos e dormiu. Nessa mesma semana recebeu um telegrama, era do sindicato da empresa que trabalhara cinco anos atrás, dizendo que saíra a sentença do processo contra a empresa. Ele ganhara!. Doze anos... de luta, de suor, de trabalho, ele ganhara, parecia um sonho!!! era maravilhoso, reconstruir sua vida, seus sonhos, começar de novo! mas agora com muito mais experiência e condições para isso... Fechou os olhos e agradeceu a Deus. Dois anos depois Pedro já estava com três escritórios de contabilidade, dava emprego para quinze pessoas e comprava um bom apartamento. Ainda acreditava no amor, mas agora estava mais cauteloso. Tudo a seu tempo. Já não tinha mais pressa. Sua filha estava trabalhando com ele e podia contar com ela totalmente, era uma moça competente e responsável. Sentia-se feliz. Tivera uma nova chance, mas nunca esqueceu-se da Igreja, da oração. Sentia-se verdadeiramente agradecido e sempre que possível ele ia, e, silenciosamente, rezava e agradecia a Deus!!!

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