Ela estava pensativa. Tinha um
olhar distante e era visível que estava
com algum problema.
Puxei conversa para aliviar a
tensão, talvez para encorajá-la a conversar, mas ela se manteve evasiva.
Não éramos exatamente amigas, trabalhávamos
no mesmo local, mas já nos conhecíamos há algum tempo e sempre me pareceu uma
mulher alegre, cheia de otimismo, assim que estranhei um pouco a sua
introspecção. Achei melhor não insistir e respeitar o seu silêncio.
Mas ela ficou em meu pensamento...
Já bem mais tarde, quando
cheguei em casa, o telefone tocou, era Ana, me perguntando se
estava me incomodando... pois queria
conversar um pouco.
Eu lhe disse para ficar a
vontade, e brincando, lhe disse que sempre sonhei em ser psicóloga, rsrs
Ela me contou que não era
feliz. Sempre passou essa imagem para as pessoas, mas era uma forma de sobreviver
também... Estava com quase cinquenta anos e nunca se casara.
Havia tido alguns
relacionamentos errados e infrutíferos, e passou toda a vida esperando
encontrar a pessoa certa. Parece que tínhamos
a mesma história e comecei a rir da situação.
Achei melhor marcar um
encontro para conversarmos.
Quando chegou à minha casa,
percebi que ela estava pronta para desabafar a sua vida, e precisava de alguém
para ouvi-la...
Falou da infância, dos tempos de adolescente, dos
relacionamentos, dos sonhos perdidos pela vida, e, finalmente, da depressão que estava tomando conta de si.
Enquanto ela falava, eu
pensava o quanto tínhamos histórias em comum, com uma diferença importante, Ana
não conseguira ter um filho.
Quando tocou neste assunto,
seus olhos marejaram, era um fator muito difícil para ela. Sempre acalentara o
sonho da maternidade, e não queria terminar seus dias sozinha neste mundo. Na
verdade, naquele momento, não consegui achar as palavras certas, e achei melhor me manter na condição de ouvinte.
Quando terminou, pediu
desculpas por me ocupar, e me trazer seus conflitos, e a minha reação foi abraçá-la
forte e lhe dizer que a minha casa e o meu coração estavam abertos sempre que ela precisasse.
Ana foi embora, mas eu senti
que estava um pouco aliviada por conversar.
Acho que quarta vez que nos
falamos, decidimos sair para comer uma pizza juntas, e percebi que ela estava mais leve, porém,
trazia nos olhos o mesmo semblante triste.
Eu lhe perguntei se nunca
considerara adotar uma criança, mas ela disse que nessa altura tinha medo de
assumir essa responsabilidade, o tempo havia passado rápido.
Eu lhe disse que nada
acontece por acaso, e que o tempo e´
imaginário, ninguém tem garantia de nada
nesta vida, e que a vida, talvez, ainda
lhe brindasse muitas coisas; mas, lá no íntimo, também dizia isso para mim mesma.
Durante todo o tempo percebi
um homem olhando para nós com
insistência, até que ele se aproximou e perguntou se poderia sentar conosco.
Pronto, a amizade com Valdir começava ali, e, confesso que, induzi a situação para Ana, porque percebi que ambos
tinham mais afinidades, e realmente não me despertou nenhum interesse, somente como amigo.
Alguns dias depois Ana me
ligou, e, para minha alegria, soube que estavam se relacionando. Mas o melhor
de tudo é que Valdir era viúvo há quatro anos, e tinha um filho de oito anos, que precisava muito de atenção e
carinho... fora muito difícil para ele ficar sem a mãe.
Fiquei pensando como a vida é
surpreendente. E como tudo muda em
questão de segundos.
Nada é eterno, nem mesmo as tristezas que visitam nossos
corações. Tudo passa, TEMPESTADES PASSAM....
Deus sabe a hora certa de mudar a nossa história. Pensei em mim mesma e sorri...
Ana me fizera muito bem, mesmo sem saber.
Deus sabe a hora certa de mudar a nossa história. Pensei em mim mesma e sorri...
Ana me fizera muito bem, mesmo sem saber.
Felicidades Ana.