Ele estava tenso, mas determinado.
Havia finalmente decidido mudar de vida... Largar o passado
que o fazia sofrer tanto. Enquanto arrumava as malas, pensava; iria pra longe,
uma nova cidade, um novo cenário, novas coisas, novos rostos, novos sonhos...
Quem sabe o tempo e a distancia o ajudaria a esquecer o desfecho triste da sua
história de amor. Pensava assim algum tempo atrás.
Davi Casara-se jovem , aos 24 anos.
Rosana era uma moça bonita, atraente,
de cabelos naturais, longos e
pretos. Toda vez que a encontrava,casualmente,
nas ruas do bairro em que viviam, seu coração batia forte. Não demorou muito
para que decidisse namorá-la, e nove meses depois se casavam. Assumira o
compromisso legal por acreditar, realmente, que Rosana era a mulher da sua vida e que
viveriam eternamente juntos.
Tinha planos. Queria ser pai de três filhos
e já nesse tempo, visualizava sua família,
no aconchego de um lar perfeito; onde reinava a alegria, os sorrisos e
as brincadeiras das suas crianças correndo pela casa.
Quase um ano depois, Rosana lhe fez uma bela surpresa. Quando chegou do
trabalho, encontrou um envelope colado na parede com o nome dele em letras
grandes. Entre curioso e nervoso, pegou o envelope e chegou a pensar que Rosana
o tivesse abandonado...
Mas ao contrário disso, ali estava a
consolidação do seu casamento e a perspectiva da realização de um sonho. Rosana estava grávida, e para completar mais ainda a sua felicidade, Rosana estava grávida de
gêmeos.
Ele chorou... Sentiu-se em plenitude. Era um
homem abençoado.
O tempo passou rápido, Rodrigo e Rafael já
completavam dois anos e eram garotos
saudáveis e espertos. Davi e Rosana
formavam uma bela família e a vida seguia serena e feliz.
Um dia, enquanto trabalhava,por volta
das 11:00h da manhã,
o telefone tocou. Era Rosana que lhe pedia para vir mais cedo do
trabalho porque não se sentia bem, queixava-se de dores fortes nas costas e
talvez precisasse ir ao médico, mas que não se preocupasse, provavelmente era um mal jeito que dera por descuido. Davi de pronto lhe
atendeu, e de imediato,
comunicou ao superior que precisava ir para casa socorrer sua mulher.
Quando chegou em casa Rosana estava deitada,
com expressão de dor, e os bebês
dormindo ao seu lado. Ligou para a sogra vir ficar com as crianças e rumaram para o hospital. Rosana deu entrada
de maca, porque já não tinha forças para caminhar. Davi estava muito
preocupado, embora procurasse não demonstrar para ela, pois queria manter a situação
sob controle e aparentar tranquilidade.
Rosana faleceu naquela noite. Numa dessas
estórias inexplicáveis da vida, ela sofrera uma embolia pulmonar e não
tivera tempo nem de se despedir. Tudo fora muito rápido.
Davi sofreu demasiadamente e chegou a pensar
que era tudo um pesadelo, não conseguia e não queria acreditar... Como poderia
viver sem Rosana, sua mulher, sua
companheira, mãe dos seus filhos, com
tantos planos e sonhos pela frente?... Que
brincadeira era essa do destino que
pregava uma peça tão cruel, absurda e
inaceitável?...
Chorou, muito! dias e noites sem fim, a dor era absurda
e dilacerante. Sentia muita falta de Rosana, mas sabia que tinha que ter forças para continuar. Havia
seus filhos, que agora exigiriam muito mais dele...
Algum tempo depois, tomou uma decisão.
Decidiu ir morar numa cidade pequena do interior. Seria mais fácil para criar
seus filhos e sobreviver depois de tudo. Levou consigo sua sogra,
avó dos pequenos. Ela carinhosamente decidira ir junto, ficar com eles por algum tempo, até que Davi
conseguisse uma babá em tempo integral e tudo se ajustar. O processo de
adaptação foi lento, difícil, mas necessário.
Seis meses depois, Davi colocou o anúncio para
contratar uma babá.
Seria bem seletivo, pois desejava uma pessoa capacitada
e responsável para cuidar dos pequenos, e tinha que ser uma mulher
carinhosa e educada.
Quatro
semanas depois, ainda buscava alguém com o perfil que desejava.
Já estava quase desanimado, pois, até
então, nenhuma das candidatas que
entrevistara lhe convencera à contratar para cuidar dos pequenos.
Até que apareceu... Janine. Curiosamente, ela tinha lindos cabelos,
naturais, pretos e longos, lembrando alguém, por quem se encantara, em algum lugar do
passado.
A aceitação foi imediata. Janine era agradável,
carinhosa, instruída, com boas
referências profissionais e lhe contou
que também tinha uma filha ainda
pequena, com 4 anos de idade, a qual criava sozinha.
De comum acordo, combinaram um tempo de
experiência e salário.
Janine o surpreendia cada vez mais, com o tempo percebeu que fizera uma excelente escolha. Janine era perfeita em sua função e as crianças a adoravam.
Janine o surpreendia cada vez mais, com o tempo percebeu que fizera uma excelente escolha. Janine era perfeita em sua função e as crianças a adoravam.
Dois anos depois estava estavam juntos, a convivência resultou num envolvimento afetuoso e apaixonado e decidiram que chegara o
momento de morar juntos e assumir a relação. Janine mudou-se com a filha para a
casa dele.
E Davi constituiu então uma nova família.
As crianças se entendiam e faziam algazarras
por todo lado.
Janine deixou claro para Davi que não poderia
mais ser mãe, e ele achou que com três crianças pela casa, isso não seria
nenhum problema.
Deu-se conta então que o sonho de ter uma família,
e três filhos se realizava, mas de outra
forma; como se Deus houvesse escrito a mesma história com outros
personagens. E se sentiu muito feliz.
Foi num desses momentos de reflexão que, pensou em Rosana... Quem sabe ela teria um
¨dedinho¨ em tudo isto? ...
Sorriu com os próprios pensamentos e, inconscientemente, agradeceu a Rosana.