PERSONAGENS REAIS: Quero dedicar este blog (livro) em memória de minha mãe Rita Maria de Almeida, que reina lá no céu, mas presente em meu coração e que faço uma homenagem como personagem deste livro. Uma mulher maravilhosa e terna que dedicou a vida aos seus filhos e soube me ensinar entre tantas coisas o significado da palavra AMOR. Te amo sempre. Obrigada mãe, minha primeira inspiração.
domingo, 27 de outubro de 2013
Era amor, simplesmente! - " 80º episódio "
Ela se chamava Clara.
Tinha no rosto o semblante das pessoas sinceras e amigas. Ela tinha uma deficiência física que limitava um pouco os movimentos das pernas , mas isso não a impedia de visitar os amigos e estar sempre com um sorriso no rosto.
Éramos vizinhas e amigas confidentes. Tínhamos uma carência emocional muito grande e por conta disso estávamos sempre conversando e desabafando, falando de sonhos, amores, e homens...
Pelo que eu soube dela mesma, teve um grande amor em sua vida, alguém que a viu como uma mulher encantadora e um belo coração. Nunca se importara com as suas limitações físicas ou o mal jeito para caminhar. Nos sentimentos falavam a mesma língua e na cama eram um só, sem preconceitos ou deficiências...
A vida lhe roubou esse sonho e só muitos anos depois conheceu uma outra pessoa.
Nessa altura Clara já não era mais tão jovem e seu problema físico se complicara, já andava de cadeira de rodas, mas mesmo assim sempre arranjava uma forma de estar com os amigos.
Foi nessa época que ela conheceu Osmar.
Osmar era um rapaz curioso... Trabalhava como vendedor ambulante e na minha opinião, demonstrava uns trejeitos ¨esquisitos¨ como se tivesse algum transtorno mental, claro num contexto leve ou moderado. Mas eram apenas suposições e impressões minhas, nada concreto.
Eu não acreditei muito nesse relacionamento até porque era bem mais jovem que ela e confesso que fiquei até um pouco preocupada que ele tivesse intenções apenas de se aproveitar dela, mas não me senti no direito de interferir. Pensei que apesar de tudo, fosse como fosse , ela estava feliz, e Osmar dava um novo sentido para sua vida.
O tempo traria todas as respostas e eu bem poderia estar enganada.
E assim foi. Osmar nunca a assumiu totalmente para casar-se, mas também nunca a deixou.
Tornou-se um companheiro fiel e estava sempre presente.
Eles assistiam filmes juntos, passeavam, ele lhe fazia favores, a levava ao médico, e sorriam ...
Com ele Clara sorria sempre. Osmar se tornara suas pernas, sua família, sua vida!.
A relação já passara dos quinze anos, e com o tempo me dei conta que eles se amavam, do jeito deles... Eram um casal socialmente ¨estranho¨ , mas que superaram todas as dificuldades, venceram os preconceitos, medos, se completaram, e jamais se importaram com a opinião dos outros. Conclui então que para o amor não existe fórmula ou padrões de comportamento, cada um de nós tem a sua história. E fiquei feliz pelos dois. Deus havia juntado suas carências e necessidades.
O tempo passou e a vida nos separou, mas há pouco tempo casualmente nos encontramos. Percebi que Clara mantinha o mesmo sorriso nos lábios, mas algo em seu olhar me chamou atenção, como uma nuvem, uma sombra triste que escondia alguma coisa.
Foi quando por instinto perguntei por Osmar...
O semblante se fechou, o sorriso apagou, e notei que os seus olhos marejaram de lágrimas...
E por um momento, quase me arrependi por ter perguntado.
Ela não conseguiu dizer nada, a voz não saiu e a sua resposta foi quando seus olhos olharam para o azul do céu, um azul profundo que fazia aquela manhã...
Eu lhe dei um abraço, era tudo que eu podia fazer e voltei pra casa pensativa, pensando que de alguma forma se explicaria aquela partida, mas que, certamente, em algum momento desse tempo eu poderia compreender os desígnios de Deus, que naquele momento eu não conseguia atinar, com certeza a vida traria as respostas, e pelo que eu aprendi, ela sempre tem uma maneira sábia e inteligente de explicar todas as coisas.
Quando isso acontecer (eu acredito), prometo escrever a continuação desse episódio para contar pra vocês.
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