Adriano
Foi por mero acaso que nos conhecemos.
Ele leu um artigo meu publicado na internet e fez contato com comentários e elogios a respeito.
Achei interessante a maneira como ele me ¨descobriu¨ e a partir daí começamos uma boa amizade.
Adriano era extremamente inteligente e como professor de informática e estudante de TI,
demonstrava muito conhecimento nestas áreas e de um modo geral dominava muitos assuntos. Era muito falante e gostava de expor suas idéias.
Conversávamos muito, até porque era importante pra mim também adquirir um pouco do conhecimento com Adriano. A vida nos permite isso, a troca de informação e conhecimento.
A meu ver, Adriano era um rapaz centrado e focado nos seus objetivos, mas com um certo exagero. Sua meta era estabilizar-se financeiramente e conquistar bens materiais.
O restante era secundário e pelo que ele se fazia entender, não tinha pressa.
Quando eu me refiro a ¨exagero¨ eu quero dizer que, por muitos momentos, tive a impressão que Adriano deixava muito de viver outras coisas em função dessa ¨busca obsessiva material ¨
Penso que aos 43 anos, já com uma família desfeita e dois filhos, Adriano compensava essa frustração na busca de outros interesses, e buscou um caminho inteligente; a sua realização profissional e material, mas que, por algum motivo, me parecia faltar um pouco o equilíbrio. Nunca tinha tempo para se divertir. O tempo não para... A vida escorre entre os dedos das mãos... Eu o via assim, com uma ânsia absurda de crescer, se superar, frenético e ansioso.
Algumas vezes eu o convidava para uma festa, um evento, ou um passeio, mas sempre ouvia negativas e falta de tempo, tinha que se ocupar com o trabalho e os estudos.
Bem, eu respeitava isso, até porque a vida é feita de escolhas.
Um dia ele me falou sobre os seus planos e metas, e observei que em nenhum momento ele mencionava uma possível vida afetiva. Não parecia incluir isso em sua vida.
Estava realmente envolvido com os seus valores , pelo que acreditava.
Curiosamente, Adriano nunca comentava sobre o casamento que não dera certo. Ele evitava falar sobre o assunto. A ex - mulher e os filhos eram como um cofre guardado a chaves onde ninguém poderia violar, seria quase ultrajante.
Mas tenho a sensação de que descobri a verdade, casualmente.
Um dia me disse que era evangélico há quatro anos, tempo em que estava separado, e que freqüentar a igreja lhe trazia a sensação de paz e compreensão melhor sobre as adversidades da vida, sobretudo relações humanas, casamento, mulheres...
Concluí que a ex - mulher de Adriano o traíra com outro homem e que ele guardava isso consigo, como um segredo absoluto e impenetrável.
A partir daí, comecei a compreender melhor o comportamento de Adriano.
Ele mantinha um segredo que o magoou muito no passado e era quase uma necessidade buscar alternativas para esquecer e não sofrer. Como uma compensação.
Creio que buscava nos estudos e no trabalho a ocupação para seu corpo e mente, e fazia disso suas prioridades na vida.
Era importante provar a si mesmo que era capaz, muito capaz de chegar aonde quisesse, e mulheres? Eram apenas mulheres, o mundo estava cheio delas, a hora que quisesse, em qualquer tempo, e até acredito que, mesmo sem comentar, para Adriano as mulheres se tornaram todas vulgares, pois o efeito em seu psicológico foi devastador, e dificilmente se recuperaria desse trauma, sem uma terapia. Porém, nunca tive coragem de confirmar isto com ele.
Não tinha esse direito, entrar em sua vida pessoal e investigar a sua história.
Mas, não sei por que, acho que inconsciente, mesmo sem ratificar isso, passei a vê-lo com outros olhos. Acho que a constatação me deu fundamento para aceitar o comportamento de Adriano.
Ainda somos amigos. E é um amigo maravilhoso. Presente, sempre que possível, e gentil.
Quem sabe um dia ele se abra comigo e possa revelar os seus segredos.
Acho que iria lhe fazer um grande bem. Revelar-se, botar pra fora seus conflitos...
Acho que iria lhe fazer um grande bem. Revelar-se, botar pra fora seus conflitos...
Como sua amiga, teria muito prazer em ajudá-lo, querido Adriano.